DIPLOMACIA CLIMÁTICA

Corrêa do Lago propõe criação de Conselho de Mudança do Clima na ONU

Presidente da COP30 sugere novo órgão para fortalecer implementação de acordos ambientais e ampliar autoridade da ONU sobre compromissos climáticos.

Publicado em 10/11/2025 às 20:51
O presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), André Aranha Corrêa do Lago Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), André Aranha Corrêa do Lago, defendeu, no início da noite desta segunda-feira, a criação do chamado Conselho de Mudança do Clima na estrutura das Nações Unidas. A proposta visa estabelecer um colegiado dedicado à implementação dos acordos climáticos, conferindo à ONU maior autoridade para cobrar a efetivação dos compromissos assumidos pelos países.

Segundo Corrêa do Lago, tanto a Convenção do Clima quanto o Acordo de Paris foram concebidos com foco na negociação, mas a ONU atualmente não possui mandato para exigir a atuação dos órgãos multilaterais na execução dos acordos. “Não há autoridade para isso. Com a eventual mudança, o Conselho de Mudança do Clima teria essa autoridade”, explicou.

O novo órgão, caso aprovado, poderá envolver todos os setores da ONU, abrangendo temas sociais e econômicos. O entendimento é que a agenda climática é transversal e impacta diversas áreas, como economia, transporte e energia. “Continuamos a negociar no Acordo de Paris e na Convenção do Clima, mas na hora de implementar, precisamos de uma outra estrutura que envolva economia, transporte, energia e todos os outros setores”, afirmou Corrêa do Lago em conversa com jornalistas.

O consenso sobre a criação do conselho ainda precisa ser construído entre os países-membros. A proposta teria de ser aprovada pela Assembleia Geral da ONU, sem a necessidade de passar pelo Conselho de Segurança.