Juíza adota mapa eleitoral em Utah que favorece democratas para 2026
Decisão anula proposta republicana e pode garantir aos democratas uma cadeira no Congresso após mais de três anos; estado deve recorrer
Uma juíza de Utah rejeitou, na segunda-feira (10), o novo mapa eleitoral elaborado por parlamentares republicanos e adotou uma proposta alternativa que cria um distrito favorável aos democratas para as eleições legislativas de meio de mandato de 2026.
Atualmente, os republicanos ocupam todas as quatro cadeiras de Utah na Câmara dos Representantes dos EUA, e haviam proposto um mapa desenhado para proteger essas posições. No entanto, a juíza Dianna Gibson decidiu, pouco antes do prazo final da meia-noite, que o mapa elaborado "favorece indevidamente os republicanos e desfavorece os democratas".
Gibson já havia determinado que os legisladores apresentassem um mapa que respeitasse os padrões aprovados pelos eleitores para evitar o favorecimento deliberado de um partido — prática conhecida como gerrymandering. Caso os legisladores falhassem, a juíza advertiu que poderia considerar outros mapas apresentados pelos autores do processo que resultou na anulação do documento original.
A magistrada acabou selecionando um mapa elaborado pela Liga das Mulheres Eleitoras de Utah e pelo grupo Mulheres Mórmons por um Governo Ético. O novo desenho mantém o condado de Salt Lake quase inteiramente dentro de um único distrito, em vez de dividir o centro populacional fortemente democrata entre os quatro distritos, como ocorria anteriormente.
A vice-governadora Deidre Henderson, republicana, afirmou na rede social X que é provável que o estado apresente um recurso de emergência, mas ressaltou que, mesmo assim, as novas fronteiras devem começar a ser implementadas para garantir o registro de candidaturas em janeiro.
"O povo de Utah merece uma eleição ordeira e justa, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir isso", afirmou Henderson na terça-feira.
Henderson destacou ainda que segunda-feira era o último dia possível para aprovar um novo mapa, a fim de permitir que os cartórios eleitorais preparassem o processo de inscrição de candidatos.
A decisão representa um revés inesperado para os republicanos em um estado onde esperavam vitória total, enquanto o partido busca avanços em outros estados. No cenário nacional, os democratas precisam conquistar três cadeiras adicionais na Câmara dos Representantes em 2026 para retomar o controle da Casa, atualmente dominada pelo Partido Republicano — que tenta evitar a tendência histórica de perda de assentos nas eleições de meio de mandato.
O novo mapa aprovado aumenta significativamente as chances dos democratas de conquistar uma cadeira. A última vez que Utah elegeu um democrata para o Congresso foi no início de 2021.
Republicanos argumentam que Gibson não tem autoridade legal para impor um mapa que não foi aprovado pelo Legislativo. O deputado Matt MacPherson classificou a decisão como um "grave abuso de poder" e afirmou ter apresentado um projeto de lei para iniciar um processo de impeachment contra a juíza.
Em agosto, Gibson já havia anulado o mapa eleitoral aprovado após o censo de 2020, alegando que o Legislativo ignorou os padrões anti-gerrymandering aprovados pelos eleitores.
A decisão coloca Utah no centro da batalha nacional pela redistribuição distrital, em meio ao incentivo do ex-presidente Donald Trump para que estados controlados por republicanos redesenhem seus mapas a fim de ajudar o partido a manter o controle da Câmara em 2026. Texas, Missouri e Carolina do Norte já adotaram novos mapas em resposta ao apelo de Trump. Em conformidade com a Constituição estadual, um painel bipartidário de Ohio também aprovou recentemente um novo mapa que pode melhorar as chances republicanas em dois distritos.
Mas os democratas também estão reagindo. Eleitores da Califórnia aprovaram na semana passada novos distritos eleitorais que podem abrir caminho para cinco cadeiras adicionais ao partido, compensando ganhos republicanos no Texas.
Com informações da Associated Press.