TENSÃO NO CARIBE

EUA enviam maior porta-aviões ao Caribe e aumentam tensão na América Latina

Desdobramento militar dos Estados Unidos, que inclui o USS Gerald R. Ford, gera preocupação e reações na Venezuela e em países vizinhos

Por Sputinik Brasil Publicado em 11/11/2025 às 22:11
© Foto / Marinha dos EUA / Jackson Adkins

O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, integrará o destacamento militar dos Estados Unidos no Caribe, em uma operação que, segundo a Casa Branca, visa combater o tráfico de drogas. O anúncio, feito pelo Departamento de Defesa dos EUA, provocou apreensão na América Latina, especialmente na Venezuela.

O reforço militar, iniciado em setembro, agora conta com o porta-aviões e inclui ainda navios de guerra, caças e tropas norte-americanas já posicionadas em áreas como Porto Rico e Panamá.

Segundo autoridades dos EUA, o objetivo é combater cartéis de drogas, justificando operações que resultaram em ataques a pequenas embarcações supostamente vindas da Venezuela. Até o momento, as forças norte-americanas bombardearam 20 embarcações, resultando em 76 mortes. No entanto, os Estados Unidos não apresentaram provas de que essas embarcações estavam ligadas ao crime organizado. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, chegou a afirmar que tais ataques podem ser considerados "execuções extrajudiciais".

"O grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford entrou na área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA. A chegada das forças navais ocorre após a ordem do secretário de Guerra Pete Hegseth ao grupo de ataque do porta-aviões para apoiar a diretiva do presidente [Donald Trump] de desmantelar organizações criminosas transnacionais", informou o Pentágono em comunicado.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o destacamento "fortalecerá a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e interromper agentes e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território americano e nossa segurança no Hemisfério Ocidental".

Com mais de 4 mil fuzileiros navais e dezenas de caças a bordo, o USS Gerald R. Ford pode lançar e recuperar simultaneamente aeronaves de asa fixa em seu convés de voo, tanto de dia quanto à noite, segundo o governo dos EUA.

O que está por trás desta ação?

A Venezuela acusa Washington de usar o combate ao tráfico de drogas como pretexto para promover uma "mudança de regime" no país e derrubar o presidente Nicolás Maduro. As movimentações militares dos EUA no Caribe e no Pacífico Oriental também têm sido alvo de críticas de países como México, Colômbia, Brasil e Chile, que defendem a América Latina como zona de paz, conforme acordos internacionais.

Em resposta à chegada do USS Gerald R. Ford, Caracas anunciou um novo destacamento militar. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, comunicou uma mobilização maciça das forças terrestres, aéreas, navais e de mísseis, envolvendo mais de 200 mil soldados. O governo venezuelano reforçou que está preparado para se defender de qualquer agressão.

"A Venezuela precisa saber que tem uma Venezuela salvaguardada, protegida e defendida", afirmou Padrino, acusando os EUA de "assassinarem pessoas indefesas, sejam elas traficantes de drogas ou não", em referência aos recentes ataques norte-americanos na região.

O presidente Nicolás Maduro, durante reunião com membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da ala jovem do partido, destacou: "Se o imperialismo tentasse um golpe de Estado e causasse danos, desde o momento em que a ordem para as operações fosse decretada, [teríamos] mobilização e combate de todo o povo da Venezuela".