CARTOGRAFIA & CLIMA

IBGE lança mapa-múndi com Pará no centro em homenagem à COP30

Nova versão do mapa valoriza Belém como sede da conferência climática e destaca a importância do Brasil e da Amazônia no debate global

Publicado em 12/11/2025 às 07:51
Reprodução

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou nesta terça-feira, 11, uma nova versão do mapa-múndi, colocando o estado do Pará no centro do planeta. A iniciativa busca valorizar a realização da COP30, conferência mundial sobre mudanças climáticas que acontece em Belém.

O mapa inverte a disposição tradicional: o hemisfério sul aparece na parte superior e o hemisfério norte, abaixo. Em publicação nas redes sociais, o IBGE destacou que a proposta "é uma forma de valorizar Belém como capital simbólica do Brasil durante a COP, no mês em que o compromisso de construir uma transição ecológica justa e sustentável ganha destaque".

A representação também evidencia o território brasileiro, a Amazônia, os países que compartilham a maior floresta tropical do planeta e a chamada "Amazônia Azul" — área do Oceano Atlântico que se estende do litoral até o limite exterior da Plataforma Continental brasileira, de exploração econômica exclusiva do país.

Esta é a 30ª edição da Conferência das Partes (COP), evento anual promovido pela Organização das Nações Unidas para discutir estratégias de combate às mudanças climáticas. O principal objetivo é alcançar acordos globais para limitar o aumento da temperatura média da Terra a 1,5ºC em relação aos níveis pré-Revolução Industrial. É a primeira vez que uma COP acontece no Brasil.

Em 2024, o IBGE já havia divulgado uma versão do mapa-múndi com o Brasil no centro, no Atlas Geográfico Escolar. Na época, a mudança gerou debates nas redes sociais, com críticas de que refletiria uma visão ideológica sobre o ensino de geografia.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, defendeu a escolha diante das reações: "A centralidade dos países do Norte Global nas projeções cartográficas é expressão do projeto eurocentrista de modernidade Ocidental. A emergência do Sul Global acompanha o reposicionamento do Brasil no mapa-múndi", afirmou nas redes sociais.

Do ponto de vista técnico, tanto o mapa com Belém no centro quanto o com o Brasil são representações corretas, considerando o desafio de projetar uma superfície esférica em uma imagem plana. No espaço, não há cima ou baixo; os hemisférios norte e sul são definições convencionais, e qualquer localidade pode ser posicionada ao centro — como já fazem países como Austrália e Nova Zelândia em seus mapas oficiais.