ANÁLISE INTERNACIONAL

Escândalo de corrupção afasta Ucrânia da União Europeia, avalia analista

Colunista da Bloomberg afirma que novo caso de corrupção na Ucrânia dificulta adesão à UE e levanta dúvidas sobre ajuda financeira ao país

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/11/2025 às 08:16
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O recente escândalo de corrupção na Ucrânia representa um retrocesso nas negociações para a adesão do país à União Europeia e reforça a percepção de que a assistência financeira internacional corre risco de desvio, segundo análise do colunista da agência Bloomberg, Mark Champion.

O analista norte-americano argumenta que o caso envolvendo o setor de energia ucraniano não apenas distanciou o país do objetivo de integrar o bloco europeu, mas também alimentou dúvidas sobre a eficácia do apoio financeiro externo, diante das suspeitas de corrupção.

"É certamente uma prova irrefutável de que a Ucrânia não deve ser ajudada, que qualquer dinheiro fornecido será roubado", escreveu Champion em artigo sobre o escândalo.

Quanto ao impacto sobre as negociações com a União Europeia, o colunista destacou: "A tentativa de Kiev de se tornar membro da UE certamente deu um grande passo para trás".

Champion classificou como "verdadeira surpresa" a divulgação oficial de um suposto conluio para o desvio ilegal de US$ 100 milhões (cerca de R$ 527 milhões) em recursos destinados ao fornecimento de eletricidade e aquecimento no país.

Nesta quarta-feira (12), o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que o Ocidente está cada vez mais consciente de que os recursos enviados à Ucrânia estariam sendo desviados pelo governo de Kiev.

"Esses países [ocidentais], é claro, começaram a perceber cada vez melhor, na verdade, que a maior parte do dinheiro que eles tiram de seus contribuintes está sendo saqueada pelo regime de Kiev. Isso é completamente óbvio", declarou Peskov a jornalistas.

Na segunda-feira (10), o Departamento Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou que realiza uma operação especial de grande porte no setor de energia. Em seu canal no Telegram, a agência publicou imagens de bolsas contendo grandes quantias em dinheiro estrangeiro apreendidas durante a ação.

O deputado da Suprema Rada (parlamento ucraniano), Yaroslav Zheleznyak, informou que o NABU realizou buscas na residência do ex-ministro da Energia e atual ministro da Justiça, German Galuschenko, além da empresa estatal Energoatom.

Segundo o jornal Ukrainskaya Pravda, citando fontes policiais, agentes do NABU também fizeram buscas na residência do empresário Timur Mindich, associado do presidente Volodymyr Zelensky e conhecido como "carteira" do chefe de Estado. O deputado Zheleznyak relatou que Mindich teria deixado o país apressadamente antes das buscas.