ENERGIA

Opep mantém projeção para produção de petróleo do Brasil e prevê leve alta anual em setembro

Relatório mensal aponta estabilidade na produção, com expectativa de crescimento em 2025 e 2026; PIB brasileiro deve avançar, mas enfrenta riscos fiscais e tarifários.

Publicado em 12/11/2025 às 10:56
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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manteve suas projeções para a produção de combustíveis líquidos do Brasil, estimando que a oferta total, incluindo biocombustíveis, deve crescer cerca de 200 mil barris por dia (bpd) em 2025, alcançando uma média de 4,4 milhões de bpd. Os dados constam do relatório mensal de novembro divulgado pelo cartel.

Segundo a entidade, a produção total de líquidos do país permaneceu praticamente estável em setembro, em 4,6 milhões de bpd, representando um aumento de 400 mil bpd em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a produção de petróleo bruto subiu 15 mil bpd no mês, atingindo 3,9 milhões de bpd, impulsionada por novos projetos.

Por outro lado, a produção de líquidos de gás natural (NGLs) recuou 16 mil bpd, para cerca de 80 mil bpd, e deve permanecer estável em outubro. A produção de biocombustíveis ficou próxima de 700 mil bpd, sem variação na comparação mensal.

Para 2026, a Opep projeta novo avanço, com média de produção próxima de 4,5 milhões de bpd, mantendo a estimativa divulgada em agosto. O crescimento deve ser sustentado pela expansão de campos como Búzios (Franco), Mero (Libra NW), Tupi (Lula), Marlim, Peregrino, Atlanta, Bacalhau, Norte Capixaba e o Parque das Baleias.

O relatório destaca ainda que a Equinor iniciou em outubro a produção no campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, por meio de uma plataforma FPSO com capacidade para 220 mil bpd.

Cenário econômico

No panorama macroeconômico, a Opep manteve as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,3% para 2025 e 2,5% para 2026, com inflação estimada em torno de 5% no próximo ano.

A organização ressalta que a economia do país segue "resiliente, apoiada por uma forte demanda doméstica", mas alerta para riscos relacionados ao elevado endividamento público e às tarifas norte-americanas de 50% sobre importações brasileiras.

Taxa Selic

O relatório aponta ainda que o Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em patamar elevado até o primeiro semestre de 2026, devido à persistência das pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços. O mercado de trabalho segue aquecido, mesmo com a menor taxa de desemprego em uma década.

A Opep observa, contudo, que a recente reforma do Imposto de Renda (IR) e a melhora nas relações comerciais com os Estados Unidos podem favorecer o crescimento em 2026, à medida que as tarifas sejam gradualmente reduzidas.