DESCOBERTA ASTRONÔMICA

Astrônomos identificam galáxia que forma estrelas 180 vezes mais rápido que a Via Láctea

MACS0416_Y1, localizada a mais de 13 bilhões de anos-luz, pode ajudar a esclarecer a rápida evolução das galáxias no início do Universo

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/11/2025 às 12:03
© Foto / NASA, ESA, CSA, STScI, J. Diego, J. D’Silva, A. Koekemoer, J. Summers & R. Windhorst e H. Yan

Uma equipe internacional de astrônomos identificou uma galáxia extremamente distante que está formando estrelas em um ritmo 180 vezes superior ao da Via Láctea. A descoberta lança luz sobre os mecanismos que permitiram o crescimento acelerado das galáxias nos primeiros bilhões de anos do Universo.

O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, analisou a galáxia MACS0416_Y1, conhecida como Y1, situada a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra.

“Estamos observando uma época em que o Universo formava estrelas muito mais rapidamente do que hoje”, explicou Tom Bakx, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia.

Utilizando o telescópio ALMA, no Chile, os cientistas mediram a temperatura da galáxia ao detectar poeira cósmica aquecida pela radiação estelar.

“Ao observarmos o brilho intenso dessa galáxia em comparação com outros comprimentos de onda, soubemos imediatamente que estávamos diante de algo verdadeiramente especial”, afirmou Bakx.

A poeira em Y1 atinge 90 Kelvin, cerca de –180 °C, tornando-se significativamente mais quente do que a de outras galáxias semelhantes.

Segundo Yoichi Tamura, da Universidade de Nagoya, no Japão, “isso confirmou que é realmente uma fábrica de estrelas de alto nível”. Ele acredita que fenômenos como esse “podem ter sido comuns no Universo primitivo”.

A galáxia Y1 produz mais de 180 massas solares por ano, enquanto a Via Láctea forma apenas uma. Conforme Bakx, esse ritmo explosivo provavelmente é temporário, mas pode ter sido um estágio típico na formação das primeiras galáxias.

Laura Sommovigo, pesquisadora do Flatiron Institute e da Universidade Columbia (EUA), destacou que a descoberta pode ajudar a explicar outro mistério: o excesso de poeira nas galáxias jovens.

“Uma pequena quantidade de poeira quente pode ser tão brilhante quanto grandes quantidades de poeira fria, e é exatamente isso que estamos vendo no Y1. Embora essas galáxias ainda sejam jovens e não contenham muitos elementos pesados ou poeira, o que elas têm é calor e brilho intensos”, explicou Sommovigo.