DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Bioeconomia é a nossa vida, afirma presidente da Ataic

Francisco Malheiro destaca importância da bioeconomia para comunidades ribeirinhas do Marajó e relata avanços com agroindústria sustentável

Publicado em 12/11/2025 às 12:07
Reprodução / Agência Brasil

Falar em bioeconomia é falar da vida das comunidades ribeirinhas. O presidente da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (Ataic), Francisco Malheiro, resume dessa forma a relação entre o tema e o cotidiano local. "Falar de bioeconomia é falar da nossa vida, de segurança alimentar, do nosso dia a dia", afirmou Malheiro durante painel realizado na Cas'Amazônia, em Belém, na manhã desta terça-feira.

A Ataic integra um grupo de 21 agroindústrias que fornecem manteigas, óleos e bioativos para a Natura. Localizada na região marajoara, a fábrica utiliza amêndoas de muru-muru, andiroba e ucuuba em sua produção.

"As sementes oleaginosas sempre estiveram nos territórios, mas não tinham valor agregado e acesso ao mercado. Nos últimos dez anos, passaram a ser ofertadas", relatou Malheiro. Segundo ele, a entrada desses ativos na cadeia produtiva elevou significativamente a renda das famílias e ampliou o envolvimento dos moradores da Ilha das Cinzas, parte do arquipélago do Marajó, no Pará.

Malheiro explica que a produção na comunidade ribeirinha precisa respeitar o ritmo das marés ao longo do dia, fator determinante para a organização das atividades. Além disso, ressalta a importância de preservar a cultura tradicional e o modo de vida dos ribeirinhos no modelo produtivo. "O modelo produtivo precisa se encaixar na vida das pessoas. Construímos a primeira indústria em área privada", destacou.

Em maio, a Ataic inaugurou sua primeira agroindústria equipada com energia de placas solares, armazenada em um sistema BESS (Battery Energy Storage System), monitorado remotamente pela equipe da WEG, em Jaraguá do Sul (SC). O projeto contou com a parceria da WEG e da Natura.

No mesmo painel, o empresário Guilherme Leal, cofundador da Natura e da Dengo, relembrou que a biodiversidade começou a fazer parte do universo da fabricante de cosméticos no fim dos anos 1990, quando os fundadores decidiram buscar uma identidade própria. "Vamos ser uma cópia dos franceses, dos americanos, dos japoneses? Ou queremos ser algo original? Entendemos que o uso das riquezas da Amazônia e da Mata Atlântica poderia nos diferenciar e gerar prosperidade compartilhada nas comunidades que conservam essas florestas", afirmou Leal. "Foi então que começamos a incorporar a biodiversidade brasileira e a investir fortemente nessa área para transformar a biodiversidade em bioeconomia."

Leal também destacou os desafios do pioneirismo. "Erramos muito porque não havia um mapa do caminho, nem legislação. Por termos sido pioneiros, fomos penalizados, multados. Nossa única certeza era que em alguma coisa íamos errar. O único jeito de nos proteger era ser transparentes e chamar as pessoas para participar dessa construção", relatou o empresário.