POLÍTICA MONETÁRIA

Galípolo responde a Haddad: Banco Central não pode ignorar os dados

Presidente do BC reforça compromisso com metas de inflação e comenta declarações do ministro da Fazenda sobre corte da Selic

Publicado em 12/11/2025 às 14:30
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo © Lula Marques/Agência Brasil

“Todo mundo pode brigar com o Banco Central, mas o BC não pode brigar com os dados”, afirmou o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, ao ser questionado sobre as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Haddad afirmou recentemente que já haveria espaço para cortar a taxa Selic e que, caso fizesse parte do Comitê de Política Monetária (Copom), votaria pelo corte.

Antes de responder diretamente, Galípolo elogiou Haddad, a quem chamou de amigo e pessoa querida. Em seguida, destacou que o Banco Central possui um mandato claro: buscar o centro da meta de inflação no horizonte da política monetária, avaliando sempre os dados disponíveis. O presidente reforçou ainda que a instituição seguirá perseguindo a meta central de inflação, fixada em 3%.

“O mundo pode brigar com o BC, mas o BC não pode brigar com os dados”, reiterou Galípolo.

Durante a coletiva, Galípolo e o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, explicaram por que as expectativas de inflação da instituição foram mantidas, mesmo após a taxa de câmbio — utilizada como base para as estimativas — ter recuado 3,5% entre 10 de outubro e 10 de novembro, chegando a R$ 5,40.

Segundo Galípolo, o mercado possui mais flexibilidade para incorporar avaliações subjetivas em suas projeções, o que não ocorre com o Banco Central. Ele citou o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, ressaltando que a autarquia tem “menos latitude” para ajustes subjetivos.

“Quando você está fazendo projeções no mercado, há mais espaço para algum tipo de incorporação subjetiva. O nosso setor de política econômica tem uma governança bastante clara sobre como esses fatores são incorporados, respeitando essa governança para evitar fatores adicionais de incerteza”, explicou Galípolo.

Diogo Guillen complementou que o BC detalha sua governança no Relatório de Política Monetária (RPM) e que, por isso, não realizou alterações nas expectativas de inflação.