Brasil foi lento na reação ao tarifaço de Trump, avalia Rubens Barbosa
Ex-embaixador afirma que país demorou a negociar com os EUA e destaca desafios do novo cenário global, marcado por protecionismo e ausência de regras claras.
A crise provocada pelo aumento de tarifas nos Estados Unidos, implementado durante o governo Donald Trump, surpreendeu o Brasil, que reagiu de forma tardia, segundo avaliação de Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington. “O Brasil demorou para fazer contato com a Casa Branca e buscar negociações”, criticou Barbosa durante o Enaex 2025 – 43º Encontro Nacional de Comércio Exterior, realizado no Rio de Janeiro.
De acordo com Barbosa, o comércio internacional deixou de seguir regras claras e, atualmente, predomina a chamada “lei da selva”, o que impõe desafios adicionais a países em desenvolvimento, como o Brasil.
O ex-embaixador também afirmou acreditar que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado até o fim de dezembro, “mais por questões geopolíticas do que comerciais”, ressaltando os obstáculos impostos pelo novo cenário global. “Novos fatores estão influenciando: meio ambiente, com barreiras protecionistas aos setores industrial e agrícola; emergência da tecnologia, com a inteligência artificial mudando as regras; e a nova corrida nuclear”, analisou.
“Estamos vivendo num mundo sem regras”, afirmou, ao destacar o enfraquecimento de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Para Barbosa, a perda de relevância dessas instituições prejudica países em desenvolvimento, que têm menor capacidade de impor suas demandas frente às nações desenvolvidas. “Estamos na lei da selva. Cada um faz o que é de seu interesse”, resumiu.
Com a ruptura da ordem político-econômica estabelecida no pós-guerra, baseada em regras, o mundo enfrenta uma situação inédita, avalia Barbosa. Segundo ele, o uso da força tem substituído as negociações como meio de alcançar objetivos políticos.