Vômito fossilizado revela possível nova espécie de pterossauro no Nordeste
Descoberta feita na Chapada do Araripe, após análise de fóssil coletado há 40 anos, amplia conhecimento sobre répteis voadores pré-históricos no Brasil.
Pesquisadores do Museu Câmara Cascudo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), anunciaram uma descoberta inusitada: um vômito fossilizado pode indicar a existência de uma nova espécie de pterossauro que habitou o Nordeste brasileiro há milhões de anos.
O fóssil, coletado há cerca de 40 anos na Chapada do Araripe — região que abrange os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí —, só recentemente teve sua importância reconhecida, após a identificação de estruturas pertencentes a esse tipo de animal pré-histórico.
De acordo com o estudo, há aproximadamente 110 milhões de anos, um dinossauro teria ingerido um pterossauro e, por razões ainda desconhecidas, regurgitado o animal sem tê-lo digerido completamente.
Naquela época, durante a separação do supercontinente Pangeia e formação do Oceano Atlântico, a área onde o fóssil foi encontrado era um mar raso. As camadas de calcário da região preservaram restos de animais e plantas, tornando a Chapada do Araripe um dos principais pontos de interesse da paleontologia mundial.
A descoberta foi publicada na prestigiada revista científica PLoS One, em colaboração com pesquisadores brasileiros, britânicos e norte-americanos.
Os pterossauros, um grupo de répteis voadores mesozoicos, foram pioneiros no voo ativo entre os vertebrados e ocuparam diversos nichos aéreos durante quase 160 milhões de anos.
Embora vestígios de pterossauros sejam encontrados em todos os continentes, a China se destaca como o país com o maior número de novas espécies identificadas nos últimos anos.