PALEONTOLOGIA NO NORDESTE

Vômito fossilizado revela possível nova espécie de pterossauro no Nordeste

Descoberta feita na Chapada do Araripe, após análise de fóssil coletado há 40 anos, amplia conhecimento sobre répteis voadores pré-históricos no Brasil.

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/11/2025 às 15:51
© Foto / Pixabay / mrganso

Pesquisadores do Museu Câmara Cascudo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), anunciaram uma descoberta inusitada: um vômito fossilizado pode indicar a existência de uma nova espécie de pterossauro que habitou o Nordeste brasileiro há milhões de anos.

O fóssil, coletado há cerca de 40 anos na Chapada do Araripe — região que abrange os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí —, só recentemente teve sua importância reconhecida, após a identificação de estruturas pertencentes a esse tipo de animal pré-histórico.

De acordo com o estudo, há aproximadamente 110 milhões de anos, um dinossauro teria ingerido um pterossauro e, por razões ainda desconhecidas, regurgitado o animal sem tê-lo digerido completamente.

Naquela época, durante a separação do supercontinente Pangeia e formação do Oceano Atlântico, a área onde o fóssil foi encontrado era um mar raso. As camadas de calcário da região preservaram restos de animais e plantas, tornando a Chapada do Araripe um dos principais pontos de interesse da paleontologia mundial.

A descoberta foi publicada na prestigiada revista científica PLoS One, em colaboração com pesquisadores brasileiros, britânicos e norte-americanos.

Os pterossauros, um grupo de répteis voadores mesozoicos, foram pioneiros no voo ativo entre os vertebrados e ocuparam diversos nichos aéreos durante quase 160 milhões de anos.

Embora vestígios de pterossauros sejam encontrados em todos os continentes, a China se destaca como o país com o maior número de novas espécies identificadas nos últimos anos.