Diretor do Fed avalia política monetária como 'muito restritiva' e prevê queda da inflação
Stephen Miran, do Federal Reserve, defende cautela e transparência na condução dos juros e destaca força do dólar como moeda global
O diretor do Federal Reserve (Fed), Stephen Miran, afirmou nesta quarta-feira (12), durante evento na Universidade de Cambridge, que a política monetária dos Estados Unidos está atualmente "muito restritiva". Segundo ele, o comitê do banco central americano tem tomado decisões de juros com base em dados passados, mas destacou que a política "deve olhar para o futuro".
Miran ressaltou que a inflação americana deve cair e está próxima da meta de 2%, mas avaliou que uma base maior de dados é essencial para analisar a real situação da economia dos EUA. "Dados são importantes, queremos mais dados", enfatizou.
Sobre o câmbio, Miran destacou que a posição internacional do dólar como moeda de reserva global "continua extremamente forte".
O diretor também afirmou que o Federal Reserve não deve pautar sua política monetária por interesses políticos e considerou "inapropriado" definir juros em resposta a questões climáticas. "A melhor forma de defender a independência do banco central é mostrar que não decidimos política monetária por fins políticos. Ser imparcial e neutro, sem envolvimento em outras questões", argumentou, defendendo transparência.
Miran alertou ainda para a necessidade de maior prudência no uso do balanço patrimonial do Fed, reconhecendo que o afrouxamento quantitativo pode ter sido utilizado "em excesso" no passado.
Por fim, enfatizou a importância de acompanhar os indicadores econômicos para entender o que realmente está ocorrendo com a inflação. "A inflação elevada deve-se principalmente ao processo de medição", concluiu.