Auren registra prejuízo de R$ 403,7 milhões no 3º trimestre de 2025 e reverte lucro do ano anterior
Resultado negativo foi influenciado por cortes de geração, risco hidrológico e aumento da dívida; receita líquida teve alta de 12,8% no período
A Auren Energia registrou prejuízo líquido de R$ 403,7 milhões no terceiro trimestre de 2025, revertendo o lucro de R$ 197,2 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.
O desempenho negativo reflete principalmente fatores conjunturais do setor elétrico, como os elevados cortes de geração por restrições sistêmicas — o chamado curtailment — e o risco hidrológico (GSF), que reduziram a produção efetiva e pressionaram as margens da companhia.
No trimestre, os cortes de geração atingiram 20,7% na fonte eólica e 33,1% na solar fotovoltaica, mais que o dobro do registrado um ano antes. O impacto líquido dessas restrições foi de R$ 130 milhões. De acordo com o diretor-presidente Fabio Zanfelice, sem os cortes, a geração teria alcançado 98,3% do percentil 50, valor considerado esperado para o período.
O GSF médio ficou em 65%, abaixo dos 79% registrados no ano anterior, o que também contribuiu para a perda adicional ao reduzir a receita das usinas hidrelétricas. Por outro lado, a diversificação do portfólio gerou efeito positivo de R$ 66 milhões. Outro fator negativo foi o menor consumo de energia, reflexo das temperaturas mais amenas em 2025 em comparação a 2024.
O Ebitda ajustado (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) somou R$ 772,7 milhões no trimestre, queda de 10,4%, impactado pelo aumento dos custos.
Entre julho e setembro, a receita líquida da Auren totalizou R$ 3,537 bilhões, alta de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A dívida líquida da companhia encerrou o trimestre em R$ 19,0 bilhões, aumento de 48,6% na comparação anual. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 4,9 vezes, alta de 1,2 ponto.
Segundo o vice-presidente Financeiro e de Relação com Investidores, Mateus Ferreira, a tendência é de redução da alavancagem nos próximos anos, chegando ao patamar entre 3 e 3,5 vezes a relação dívida/Ebitda entre 2027 e 2028. "A partir de 2027, essa queda deve ocorrer devido à forte geração de caixa e ao crescimento do Ebitda", afirmou.