NEGÓCIOS

Família Diniz encerra participação no Carrefour após uma década

Saída marca fim da atuação dos brasileiros como principais acionistas da rede francesa; família Saadé assume posição de destaque

Publicado em 12/11/2025 às 20:19
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A gestora Península, responsável pela administração dos recursos da família Diniz, concluiu a venda de sua participação no Carrefour da França, encerrando uma relação de 10 anos com a rede varejista. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 12, por meio de comunicado oficial do grupo. Com a transação, os brasileiros deixam de ser os segundos maiores acionistas do Carrefour, posição agora ocupada pela família Saadé, que passa a ser a principal acionista da companhia.

"O Carrefour foi informado da decisão da Península de vender sua participação no Carrefour", destacou o comunicado do grupo francês, informando que a operação já foi finalizada. A Península detinha 8,4% das ações da empresa e, segundo o mercado, a possibilidade de venda já vinha sendo discutida há alguns meses.

Atualmente, o Carrefour está avaliado em 9,35 bilhões de euros na bolsa de Paris, o que coloca a fatia da família Diniz próxima de 800 milhões de euros — cerca de R$ 5 bilhões pelo câmbio do dia. Os comunicados oficiais, no entanto, não mencionam valores específicos.

Durante reunião do conselho realizada em Paris, o grupo foi informado sobre a decisão da Península. Na ocasião, os executivos Eduardo Rossi e Flavia Buarque de Almeida anunciaram suas renúncias aos cargos que ocupavam.

O executivo Rodolphe Saadé assumirá o posto de Rossi até o término do mandato, previsto para a assembleia anual de 2028. O conselho também nomeou a Carrix, entidade ligada à família Saadé e à CMA CGM, como braço independente para substituir a Península.

"Gostaria de expressar meus mais calorosos agradecimentos à Península, Eduardo Rossi, Flavia Buarque de Almeida e à família de Abílio Diniz, que permaneceram fiéis à visão de Abílio sobre o varejo e seu compromisso inabalável com o Carrefour por mais de 10 anos", afirmou Alexandre Bompard, presidente do conselho e diretor executivo do Carrefour, em comunicado. "Abílio deixou sua marca na história do nosso grupo."

Eduardo Rossi, presidente do conselho da Península, explicou que a decisão de vender as ações do Carrefour após uma década de parceria faz parte da nova estratégia de alocação de ativos do fundo. "O Carrefour constituiu um investimento importante para a Península, alinhado ao caminho traçado pelo nosso fundador", declarou.