MP destaca morte por tiro à queima-roupa e decapitação em operação policial no Rio
Relatório do Ministério Público do Rio de Janeiro aponta lesões atípicas entre as 121 vítimas das ações nas comunidades do Alemão e da Penha; caso de jovem decapitado segue sob investigação.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) produziu um relatório que destaca a identificação de duas "lesões atípicas" entre os 121 mortos durante a operação das forças de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, ocorrida no final de outubro.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S. Paulo, o primeiro caso relatado pelo MPRJ refere-se a um corpo com marcas de disparo de arma de fogo à curta distância. O segundo caso, já divulgado anteriormente pela imprensa, envolve Yago Ravel Rodrigues Rosário, encontrado decapitado na Serra da Misericórdia.
A cabeça do jovem, de 19 anos, foi localizada pendurada entre dois galhos de uma árvore. Na ocasião, o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, afirmou que não se pode descartar a hipótese de que criminosos tenham decapitado a vítima, eximindo as forças policiais de responsabilidade direta.
"Quem disse que quem cortou a cabeça não foi o pessoal lá que foi buscar o corpo? Quem disse que foi a polícia que cortou a cabeça dele? Criminosos podem ter feito novas lesões nos corpos. Vamos expandir a investigação para apurar vilipêndio a cadáver. Podem ter feito isso justamente para chamar atenção da imprensa."
Oito profissionais do MPRJ acompanharam a necropsia dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) do Rio, em análise realizada para a Polícia Civil do estado. Segundo o relatório, todas as vítimas eram do sexo masculino, apresentavam ferimentos por arma de fogo e exibiam padrão de lesões concentradas no tórax, abdômen e dorso.
O documento da Promotoria fluminense foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).