COP30 | FINANÇAS SUSTENTÁVEIS

Bancos multilaterais devem ampliar apetite ao risco, defende embaixadora Tatiana Rosito

Secretária de Relações Internacionais do Ministério da Fazenda destaca necessidade de mais empréstimos em moeda local e revisão de critérios de risco para projetos em países em desenvolvimento

Publicado em 12/11/2025 às 20:30
Tatiana Rosito Reprodução / Agência Brasil

A secretária de Relações Internacionais do Ministério da Fazenda, embaixadora Tatiana Rosito, afirmou que uma das recomendações do Círculo de Ministros de Finanças da COP30 é o aumento do apetite ao risco por parte dos bancos multilaterais. Segundo Rosito, essas instituições deveriam ampliar a oferta de empréstimos em moeda local, modalidade que já existe e contribui para reduzir o risco cambial das operações.

Em entrevista concedida após participar do Fórum de Finanças Sustentáveis COP30, realizado nesta quarta-feira (12), em Belém, Rosito ressaltou a importância de os bancos multilaterais revisarem a avaliação de risco dos projetos em países em desenvolvimento, que são o foco natural dessas instituições. "É importante compreender melhor as diferentes percepções de risco nos países em desenvolvimento e nos projetos. Há algumas evidências de que o risco tem sido visto como maior do que realmente é", afirmou.

Rosito também destacou a necessidade de as agências de rating repensarem seus parâmetros de avaliação, especialmente no que diz respeito às garantias dos projetos. Ela citou relatos de que o risco de projetos de longo prazo permanece elevado nas classificações das agências, mesmo após parte significativa do tempo do projeto já ter decorrido.

Sobre o impacto das mudanças climáticas nas contas públicas, a secretária apontou que é natural o aumento da preocupação com a organização dos países diante da frequência de eventos extremos, bem como com a prevenção dos custos climáticos. "É preciso considerar tanto o perfil da receita, que tende a ser afetado em meio a desastres climáticos, quanto o das despesas. Na ocorrência de uma tragédia, é fundamental analisar o que as regras permitem que seja feito. Fizemos isso no ano passado, no Rio Grande do Sul", exemplificou.

Rosito ainda mencionou o desafio do letramento climático, que envolve a necessidade de mais informação e dados qualificados. "A base de dados é fundamental. Muito já foi feito", observou, citando iniciativas como o Global Emerging Markets Risk Database (GEMS). "Ainda há um trabalho enorme a ser realizado, e a COP é um motor importante para o letramento climático", concluiu.