VATICANO ESCLARECE FENÔMENOS RELIGIOSOS

Por que o Vaticano nega supostas aparições de Jesus na França: 'Parece enganoso'

Documento oficial rejeita caráter sobrenatural dos relatos em Dozulé e alerta para riscos de distorções na fé

Publicado em 12/11/2025 às 22:00
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O Vaticano publicou, na última terça-feira, 3, uma carta ao bispo de Bayeux-Lisieux, na França, na qual o Dicastério para a Doutrina da Fé declara, de forma definitiva, "não sobrenatural" o fenômeno das supostas aparições de Jesus na cidade de Dozulé, associadas à figura de Madeleine Aumont.

De acordo com a nova instrução, aprovada pelo papa Leão XIV, Jesus pode responder às orações dos fiéis, mas não realizou aparições na região. "Parece enganoso, tanto do ponto de vista teológico quanto pastoral-simbólico, comparar a 'Cruz Gloriosa' de Dozulé com a de Jerusalém", afirma o documento, assinado por dom Víctor Manuel Fernández.

Segundo Madeleine, as alegadas aparições teriam ocorrido entre 1972 e 1978, e a principal mensagem transmitida seria o pedido para a construção de uma cruz luminosa com 738 metros de altura. O texto ressalta que, embora as mensagens contenham exortações à conversão, penitência e contemplação da Cruz, "levantam questões teológicas delicadas que merecem esclarecimento, para que a fé dos fiéis não seja exposta ao risco de distorções".

A carta reforça que "qualquer outro sinal, por mais devoto ou monumental que seja, não pode ser colocado no mesmo plano" da Cruz de Jerusalém.

O Dicastério enfatiza ainda que, embora a veneração da cruz seja legítima e relevante como "meio de conversão" e aprofundamento da fé, ela não deve se apoiar em aparições privadas que assumam "autoridade sobrenatural" sem o devido discernimento da Igreja.

Na última semana, o Vaticano também orientou os católicos a não se referirem a Maria como "corredentora". Conforme decreto, reconhece-se que Maria "cooperou" na obra redentora de Cristo, mas não atuou como mediadora.

O documento alerta que o título de "corredentora" pode "obscurecer a única mediação salvífica de Cristo", gerando "confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã".