'Otan islâmica' é possível e traria estabilidade para o Oriente Médio?
Especialistas avaliam desafios e possibilidades de uma aliança militar entre países islâmicos e os impactos para a segurança regional.
A discussão sobre a criação de uma aliança militar entre países islâmicos — apelidada de 'Otan islâmica' — volta ao centro dos debates no Oriente Médio e regiões vizinhas. Com agendas e desafios próprios, a formação de uma coalizão desse tipo seria, de fato, prioridade para os países da região?
De acordo com o professor Vinicius Modolo Teixeira, uma organização de cooperação e defesa pode representar um avanço significativo para o Conselho de Cooperação do Golfo na proteção regional. No entanto, embora a intenção de criar uma aliança semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) esteja em pauta, analistas apontam que nem todos os países islâmicos integrariam esse bloco.
Para o analista Paulo Henrique Montini, a proposta se aproxima de uma espécie de 'Liga Árabe 2.0', mas não garantiria estabilidade ao Oriente Médio. O principal obstáculo reside na dificuldade dos países em alcançar consenso e nas disputas por hegemonia dentro da própria região.
O pesquisador Rafael da Silva Firme acrescenta que as contradições internas seriam um entrave ao avanço da proposta. Além disso, os países islâmicos possuem outras prioridades no momento, o que tende a adiar a efetivação de uma 'Otan islâmica'.