SEGURANÇA NA COP-30

Segurança é reforçada após tentativa de invasão à área da ONU na COP-30

Após tentativa de invasão por manifestantes indígenas à Blue Zone, policiamento é ampliado e acesso à área de negociações da Cúpula do Clima ganha novas restrições

Publicado em 12/11/2025 às 22:26
Paulo Mumia/COP30

Vinte e quatro horas após a tentativa de invasão de povos indígenas à área de negociações da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), conhecida como Blue Zone, o cenário nas ruas de acesso ao local foi completamente alterado. No início da noite desta quarta-feira, 12, dezenas de viaturas da Polícia Militar estavam enfileiradas com os giroflex ligados. Veículos da PM também circulavam pelas vias, que permanecem fechadas desde a cúpula dos líderes da COP, realizada na semana passada.

Em noites anteriores da conferência, o policiamento já era presente, mas restrito a dois carros nos pontos de acesso. Nesta quarta, o efetivo foi ampliado, com maior número de policiais, além da presença de cães e ônibus da PM.

Na terça-feira, 11, manifestantes tentaram acessar a área restrita a credenciados. Eles conseguiram ultrapassar o sistema de Raio-X, mas foram contidos por um bloqueio de segurança antes de entrarem no local. Portas de entrada chegaram a ser quebradas.

A Blue Zone é uma estrutura temporária, semelhante a uma grande tenda, comumente utilizada em feiras e congressos, o que a torna relativamente frágil.

O acesso até o local é bloqueado para veículos, exigindo uma caminhada de cerca de 10 minutos até a entrada principal.

O presidente da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), embaixador André Corrêa do Lago, minimizou o episódio. "O incidente de ontem (terça) é algo que pode acontecer em um país democrático como o Brasil", afirmou Lago. Ele lembrou que as últimas edições da COP ocorreram em países com restrições a protestos: Azerbaijão (2024), Emirados Árabes Unidos (2023) e Egito (2022).

A ONU, responsável pela segurança do espaço, informou que dois seguranças ficaram feridos e que investiga o caso, ressaltando que medidas estão sendo tomadas para garantir a segurança do evento.

"Houve certo excesso, mas acredito que isso faz parte de um contexto mais amplo. Não podemos esquecer, como destacaram as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), que esta já é a COP mais inclusiva", reforçou Lago.

Segundo o presidente da COP, o evento tem proporcionado "pleno espaço para manifestar todas as reticências, discordâncias e dificuldades". "Acreditamos que quanto melhor o debate, mais produtivo será", completou.

Como ocorreu a confusão na COP

Vídeos obtidos pela reportagem mostram manifestantes gritando palavras de ordem em defesa da taxação de grandes fortunas, enquanto seguranças tentavam retirá-los da Blue Zone. Alguns subiram em mesas com faixas de protesto; outros empunhavam bandeiras, bastões, megafones, arcos e flechas.

Em suas redes sociais, o Coletivo Juntos declarou: "Ocupamos a COP-30 porque quem luta contra a crise climática é o povo e não os bilionários".

Os indígenas protestavam com uma bandeira "Palestina livre" e também contra a exploração de petróleo na Margem Equatorial da foz do Rio Amazonas.