COP30

Indígenas do Tapajós veem confusão na COP30 como recado de resistência

Grupo afirma que protesto saiu do controle após adesão de outros civis, mas reforça luta contra privatização de rios e mineração ilegal

Por Sputinik Brasil Publicado em 12/11/2025 às 23:33
© AP Photo / Fernando Llano

Lideranças indígenas do baixo Tapajós afirmaram nesta quarta-feira (12) que a confusão durante manifestação na COP30, em Belém, foi um "recado de resistência" diante da falta de escuta por parte dos negociadores do evento.

Segundo os representantes, o grupo participou da Marcha Global de Saúde e Clima e, em seguida, decidiu seguir em ato até a entrada da Zona Azul. No local, outros grupos civis se somaram à mobilização, momento em que a situação saiu do controle.

Em entrevista coletiva, conforme publicado pela Folha de S.Paulo, os indígenas relataram que suas demandas seguem restritas a discussões paralelas e não têm espaço nas negociações principais da conferência.

"Nossas manifestações têm sido para que nos ouçam. Quando entram em nosso território, ninguém pede licença, acham que são donos", afirmou Margareth Maytapu, coordenadora do Conselho Indígena Tapajós e Arapuiuns.

O baixo Tapajós reúne 14 povos indígenas, mas apenas um representante teve acesso à Zona Azul da COP30, onde ocorrem as negociações de alto nível.

Entre as principais reivindicações do grupo estão a oposição à privatização dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira — que podem ser transformados em hidrovias para transporte de cargas — e o combate à atuação de mineradoras, responsáveis pela contaminação da região por mercúrio.