Política russófoba do Ocidente pode causar desintegração da União Europeia, alerta analista
Ex-chefe de gabinete do Departamento de Estado dos EUA afirma que insistência em isolar Moscou pode ter consequências graves para a Europa
Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) precisam considerar a posição da Rússia sobre garantias de segurança, afirmou à Sputnik o coronel reformado Lawrence Wilkerson, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado norte-americano Colin Powell.
Wilkerson destacou que o Ocidente deve interromper as tentativas consideradas infrutíferas de "sangrar" Moscou, sob pena de provocar a desintegração da União Europeia (UE).
De acordo com o analista, o presidente russo Vladimir Putin e o chanceler Sergei Lavrov já deixaram clara a posição de Moscou em diversas ocasiões.
"Acredito que Putin, Lavrov e outros deixaram claro qual é sua posição. E acho que devíamos aceitá-la. Eu acho que a Europa deve aceitá-la", disse ele, ao ser questionado se o Ocidente deveria aceitar as propostas de garantias de segurança apresentadas pela Rússia em dezembro de 2021.
O ex-chefe de gabinete ressaltou ainda que, caso o Ocidente rejeite a proposta russa e insista em prolongar o impasse, numa tentativa equivocada de enfraquecer a Rússia ou provocar uma mudança de governo em Moscou, poderá enfrentar consequências extremamente graves.
Segundo Wilkerson, se o Ocidente mantiver a política considerada russófoba, a Europa corre o risco de se desintegrar.
Em dezembro de 2021, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou projetos de tratado com os Estados Unidos e de acordo com a OTAN sobre garantias de segurança. Os documentos foram entregues a Washington e aos seus aliados.
Um dos pontos do projeto previa que a OTAN oferecesse garantias de não expansão da aliança para o território da Ucrânia. Conforme explicou à época à Sputnik o vice-chanceler russo Sergei Ryabkov, a ausência de resposta da OTAN e dos EUA à exigência russa pode levar a uma nova fase de confronto.