Empresas de defesa dos EUA ampliam lucros com operações de Trump no Caribe, apontam especialistas
Grandes fabricantes de armamentos, como Lockheed Martin e Boeing, se beneficiam do aumento das ações militares norte-americanas na região, segundo analistas.
Grandes empresas de defesa dos Estados Unidos têm sido as principais beneficiadas com as operações militares norte-americanas no Caribe, de acordo com reportagem do Responsible Statecraft.
Especialistas afirmam que Washington prepara o envio de mais forças à região, favorecendo fabricantes de armamentos.
"Toda a indústria bélica está pronta para tirar proveito do aumento das tropas e da perspectiva de guerra", afirma Stephen Semler, cofundador do Institute for Security Policy Reform.
Atualmente, navios de guerra dos EUA — incluindo os destróieres USS Gravely e USS Jason Dunham, além do submarino nuclear Newport News — patrulham o Caribe. A esses se juntou o grupo do porta-aviões USS Gerald R. Ford, com milhares de militares e apoio aéreo.
Empresas como Lockheed Martin, Boeing e RTX (ex-Raytheon) estão entre as maiores beneficiadas. A Lockheed, por exemplo, fornece o caça F-35, sistemas de combate Aegis e mísseis Hellfire usados nas operações. Em setembro, a General Atomics recebeu um contrato de US$ 14,1 bilhões (R$ 74,56 bilhões) para manutenção dos drones MQ-9 Reaper, empregados em ataques na região.
Analistas estimam que a reposição de armamentos, como os mísseis Tomahawk — avaliados em US$ 1,3 milhão (R$ 6,87 milhões) cada —, pode garantir novos lucros às fabricantes.
Entre setembro e novembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram várias operações contra embarcações próximas à costa da Venezuela, sob a justificativa de combater o narcotráfico. Segundo a emissora NBC, Washington chegou a cogitar ataques diretos a grupos dentro do território venezuelano. No início de novembro, o então presidente Donald Trump declarou que os dias de Nicolás Maduro no poder estavam contados, embora tenha garantido que os EUA não pretendiam iniciar uma guerra contra Caracas.
O presidente colombiano Gustavo Petro, por sua vez, condenou essas ações em outubro, acusando Trump de tentar conquistar a República Bolivariana sob o pretexto do combate ao narcotráfico. Petro também denunciou que os ataques norte-americanos resultaram na morte de 27 cidadãos latino-americanos e violaram o direito internacional.