ARQUEOLOGIA

Máscara feminina de mármore revela penteado fenício milenar na Tunísia

Peça rara do século IV a.C., encontrada em Cartago, destaca devoção religiosa e intercâmbio cultural no Mediterrâneo antigo

Por Sputinik Brasil Publicado em 13/11/2025 às 07:28
© Foto / Pixabay / Drahunkas

Uma equipe de arqueólogos na Tunísia descobriu uma máscara feminina de mármore, datada do final do século IV a.C., com um sofisticado penteado de estilo fenício. A peça, considerada única em forma e simbolismo, foi revelada pelo portal Arkeonews.

De acordo com a publicação, a máscara oferece novas perspectivas sobre o universo artístico e espiritual da civilização púnica, especialmente em relação à devoção aos deuses Tanit e Baal Hammon.

Rara máscara de mármore do século 4 a.C. de uma mulher fenícia desenterrada em Cartago.
Rara máscara de mármore do século 4 a.C. de uma mulher fenícia desenterrada em Cartago.
"A máscara de mármore, esculpida a partir de um único bloco de mármore branco fino, retrata um rosto feminino sereno, emoldurado por um elaborado penteado fenício. Esse penteado — comum na escultura fenícia e em objetos de luxo — simbolizava status e devoção religiosa entre as elites púnicas", destaca o Arkeonews.

Segundo os pesquisadores, a máscara apresenta uma pureza estilística que a coloca entre os mais raros exemplos de arte retratística púnica já encontrados.

Estima-se que a peça tenha sido utilizada em santuários ou altares, integrando rituais ex-voto em homenagem ao poder feminino divino. Análises laboratoriais preliminares apontam para a origem do mármore no Mediterrâneo Oriental, além de vestígios de pigmentos antigos em sua superfície — indícios que reforçam a hipótese de intenso comércio entre Cartago e cidades fenícias.

Máscara da mulher revelada na Tunícia.
Máscara da mulher revelada na Tunísia.

O Tophet de Cartago, onde a máscara foi encontrada, funcionou como um recinto sagrado a céu aberto entre os séculos VIII a.C. e II a.C., revelando um complexo panorama ritual dedicado a Tanit e Baal Hammon.

Acredita-se ainda que a obra tenha sido encomendada por uma família aristocrática, em busca de proteção divina ou em agradecimento pela prosperidade alcançada.

A descoberta amplia a compreensão sobre o centro espiritual cartaginês, indicando que o mármore refinado e o estilo da peça refletem a circulação de símbolos e influências entre diferentes culturas do Mediterrâneo.

Segundo os especialistas, a expressão serena da máscara preserva a memória de uma tradição religiosa que moldou a identidade púnica, evidenciando o entrelaçamento entre arte, fé e poder na região.