DIPLOMACIA E IMPRENSA

Moscou acusa jornal italiano de censura por recusar entrevista com Lavrov

Ministério das Relações Exteriores da Rússia critica decisão do Corriere della Sera e afirma que cidadãos italianos são privados de informações objetivas sobre a Ucrânia

Por Sputnik Brasil Publicado em 13/11/2025 às 07:31
© Sputnik / Grigory Sysoev

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou o jornal italiano Corriere della Sera de praticar "censura flagrante" ao se recusar a publicar a íntegra de uma entrevista exclusiva concedida pelo chanceler russo Sergei Lavrov.

Segundo a chancelaria russa, o material foi oferecido ao jornal em meio ao que classificou como um "surto de desinformação sobre a Rússia na mídia italiana". A redação do Corriere della Sera teria enviado as perguntas ao ministro e recebido respostas "detalhadas e escritas pessoalmente" por Lavrov, mas optou por não publicar a entrevista na íntegra.

O jornal alegou que as declarações do ministro russo "exigem verificação de fatos" e que a entrevista ultrapassaria "os limites de tamanho razoáveis" para publicação. Moscou afirmou que até mesmo uma proposta de publicação parcial no impresso e integral no site foi rejeitada pelo veículo.

"Esse caso é um exemplo claro de como os cidadãos italianos são privados de informações objetivas sobre a situação em torno da Ucrânia e deliberadamente induzidos ao erro", declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

A porta-voz Maria Zakharova criticou duramente a decisão e ironizou as justificativas apresentadas pelo jornal italiano.

"Passamos vários dias tentando entender o verdadeiro motivo da recusa do Corriere della Sera. Sugerimos diversas opções. A mais absurda que ouvimos foi que o jornal supostamente não tinha espaço suficiente para a entrevista", afirmou Zakharova.

O lado russo propôs um formato híbrido, com uma versão resumida na edição impressa e a íntegra no site, mas, segundo Zakharova, o jornal alegou não ter espaço nem mesmo no portal digital.

Para a diplomata, as razões para a recusa foram políticas. Ela destacou que as perguntas foram formuladas pelo próprio jornal, o que, em sua visão, contradiz a ideia de que Moscou buscava promover determinado conteúdo.

Zakharova acrescentou que o Corriere della Sera aceitaria publicar apenas um terço da entrevista, realizando uma "seleção arbitrária" das respostas.

"Censura foi aplicada tanto no volume quanto, o que é mais repugnante, no conteúdo. Foram cortadas todas as passagens em que se mencionava o neonazismo", acusou a porta-voz.

Ela afirmou ainda que até correspondentes italianos teriam ficado surpresos com a decisão editorial do jornal.

"Ficou evidente que essa posição não reflete a opinião do jornalismo italiano, mas sim de quem o influencia. Aparentemente, a mídia está tão amedrontada que o dever jornalístico e a ética profissional cederam a uma espécie de pânico político", concluiu Zakharova.

A íntegra da entrevista, na qual Lavrov aborda as relações entre Moscou e o Ocidente e menciona uma possível preparação da Europa para uma grande guerra contra a Rússia, foi publicada no site oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.