JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO

Contraventor e ex-PM vão a júri popular pela morte de Alcebíades Garcia

Ministério Público obtém decisão para que Bernardo Bello e Wagner Dantas Alegre respondam por homicídio durante disputa no jogo do bicho

Publicado em 13/11/2025 às 07:45
Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve decisão em segunda instância para que o contraventor Bernardo Bello e o ex-policial militar Wagner Dantas Alegre sejam julgados pelo Tribunal do Júri, acusados do homicídio do também contraventor Alcebíades Paes Garcia, conhecido como Bid.

Alcebíades foi assassinado na porta de casa, quando retornava de madrugada dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, durante o carnaval de fevereiro de 2004.

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Alcebíades era irmão do contraventor Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, assassinado em 1999. Figura de destaque no jogo do bicho no Rio de Janeiro, sua morte desencadeou uma disputa violenta entre os herdeiros da família.

Bernardo Bello foi casado com Tamara Garcia, filha de Maninho, com quem tem um filho. Ele iniciou sua atuação no jogo do bicho após a morte de Maninho e de seu pai, Waldemir Paes Garcia, conhecido como seu Miro, que presidiu a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Seu Miro faleceu pouco tempo depois de Maninho, por problemas de saúde.

Wagner Dantas Alegre é ex-policial militar e apontado como matador de aluguel. Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, ele teria se aliado a Fernando Bello e sido o executor de Bid. Atualmente, Wagner está foragido, assim como Fernando Bello, que também não foi localizado pela Justiça.

A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou os recursos apresentados pelas defesas de Bernardo Bello e Wagner Alegre.

Após sustentação oral feita por procuradora de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, os desembargadores decidiram, por unanimidade, manter a decisão que leva os réus a julgamento.

De acordo com o MPRJ, o homicídio de Bid foi motivado por uma intensa e sangrenta disputa pelos pontos de exploração do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro.

A denúncia aponta que Bernardo Bello ordenou e coordenou o assassinato do rival, Alcebíades Garcia, enquanto Wagner Alegre, seu segurança, foi o autor dos disparos.

O atentado ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 2004, durante o carnaval, quando Alcebíades voltava da Marquês de Sapucaí.

Segundo o MPRJ, o crime contou ainda com a participação de seguranças de Bid, também denunciados, que forneceram informações essenciais para a execução do homicídio.