OPERAÇÃO SEM DESCONTO

PF prende ex-presidente do INSS e impõe tornozeleira eletrônica a ex-ministro de Bolsonaro

Nova fase da investigação mira desvios de aposentadorias e cumpre mandados contra ex-gestores, representantes de entidades e parlamentares em diversos estados

Publicado em 13/11/2025 às 10:52
Reprodução / internet

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 13, uma nova fase da operação que apura desvios de aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foram cumpridos mandados de prisão e medidas cautelares alternativas contra dez investigados. Entre os alvos está Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, suspeito de ter permitido os desvios durante sua gestão.

Stefanutto assumiu o comando do INSS em julho de 2023, já no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota, a defesa de Stefanutto classificou a prisão como "completamente ilegal": "Trata-se de uma prisão completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação."

Outro alvo das medidas é o ex-ministro do Trabalho e Previdência e ex-presidente do INSS no governo de Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, atualmente identificado como Ahmed Mohmad Oliveira Andrade, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica.

Também foram presos três pessoas ligadas à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer): Cícero Marcelino, Tiago Abraão Ferreira Lopes e Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior. Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho, também está entre os detidos.

A PF ainda cumpriu um novo mandado de prisão contra o lobista Antônio Camilo, conhecido como "Careca do INSS", que já se encontrava preso desde setembro.

Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos demais investigados não haviam se manifestado.

Além das prisões, a operação cumpre 63 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), que teria vendido um avião a uma entidade envolvida nos desvios, e o deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo, ex-presidente de entidade de pescadores responsável por descontos associativos.

Os deputados não haviam se pronunciado até o fechamento deste texto.

As ações acontecem nos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.

Segundo a PF, são investigados crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso.

Nota da defesa de Alessandro Stefanutto:

A defesa do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto informa que:

- Não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão dele;

- Considera a prisão completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação;

- Buscará informações que fundamentaram o decreto para tomar as providências necessárias;

- Segue confiante de que comprovará sua inocência ao final dos procedimentos relacionados ao caso.