SAÚDE E MEIO AMBIENTE

COP30: Ministério da Saúde lança guia sobre mudanças climáticas

Documento orienta profissionais e população sobre prevenção, cuidados e vigilância em situações de eventos climáticos extremos, com foco em grupos vulneráveis

Publicado em 13/11/2025 às 14:35
Alexandre Padilha, ministro da Saúde Jefferson Rudy/Agência Senado

O Ministério da Saúde lançou, na quarta-feira (12), durante a Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), o Guia de Mudanças Climáticas e Saúde.

Destinado a profissionais de saúde e à população em geral, o documento reúne orientações sobre prevenção, cuidados e vigilância em situações relacionadas a eventos climáticos extremos, como inundações e secas.

O material, disponível no site do ministério e no aplicativo Meu SUS Digital, apresenta os principais agravos relacionados ao clima, além de recomendações específicas para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, populações indígenas e ribeirinhas.

No capítulo sobre calor, por exemplo, o guia traz informações detalhadas sobre os efeitos das altas temperaturas nos sistemas cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, neurológico, endócrino e renal, além de alterações oftalmológicas, impactos na saúde mental e medidas de proteção à saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, o lançamento do guia faz parte das ações para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos da crise climática e fortalecer as políticas públicas de saúde e sustentabilidade.

Crianças em risco

Recentemente, o movimento Médicos pelo Clima e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também lançaram uma cartilha direcionada a mães, pais e cuidadores, com orientações sobre como reconhecer e prevenir riscos climáticos em crianças.

De acordo com o Children's Climate Risk Index, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Brasil apresenta risco médio-alto, com mais de 40 milhões de crianças e adolescentes expostos a dois ou mais riscos ambientais. "Mais de 8,6 milhões de meninas e meninos brasileiros estão expostos ao risco de falta de água; e mais de 7,3 milhões estão expostos aos riscos decorrentes de enchentes de rios", destaca o órgão no documento Crianças, adolescentes e mudanças climáticas no Brasil, de 2022.

As ondas de calor, por exemplo, podem causar desidratação, com sintomas como boca seca, choro sem lágrimas, ausência de urina ou urina muito escura, irritabilidade e sonolência. Em crianças menores, a desidratação pode provocar afundamento da moleira e aumento da temperatura corporal, conforme alerta a cartilha.