INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Mercado de semicondutores ainda não está normalizado, aponta Anfavea

Presidente da associação afirma que risco de queda na produção de veículos diminuiu, mas setor segue atento ao abastecimento de chips

Publicado em 13/11/2025 às 17:31
Reprodução

O mercado de chips e semicondutores destinados à produção de automóveis no Brasil ainda enfrenta instabilidades, mas o risco de queda na produção devido à falta desses insumos diminuiu. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, em meio aos eventos da COP30, em Belém.

Em outubro, um impasse envolvendo o governo chinês e a operação da gigante holandesa Nexperia restringiu a oferta global de semicondutores. Segundo a Anfavea, atualmente um automóvel demanda entre mil e três mil chips. O cenário gerou alerta para uma possível crise no setor automotivo, como destacou a própria entidade no último dia 23.

"A informação que temos hoje é de que há uma retomada, porém gradual, no mercado de semicondutores", afirmou Calvet. Ele ressaltou que, desde o início da crise, tanto a Anfavea quanto as montadoras mantiveram diálogo com o governo federal e atuaram para evitar paralisações na produção de veículos no país.

Segundo o presidente da Anfavea, foi criada uma linha direta com o governo chinês — principal produtor mundial de semicondutores — para garantir o abastecimento do mercado brasileiro. No último fim de semana, houve avanços nas negociações entre China e Nexperia, o que deve contribuir para a normalização da distribuição global de chips.

Calvet explicou que ainda não há dados consolidados sobre o impacto da escassez de semicondutores na produção de veículos nas últimas semanas. Ele destacou, ainda, que as montadoras possuem estoques próprios de chips e que cada empresa adota processos produtivos e calendários distintos.

"As empresas seriam impactadas de maneiras distintas: uma eventual paralisação não ocorreria de maneira generalizada e ao mesmo tempo", ponderou Calvet. "Mas houve uma ação de resposta muito rápida do setor."