Condições de oferta de crédito devem seguir em deterioração no 4º trimestre de 2025, aponta Banco Central
Pesquisa do BC revela projeções negativas para o crédito bancário, com aumento do risco e da inadimplência em todos os segmentos até o fim do ano.
A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC), divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, aponta uma perspectiva negativa para as instituições financeiras no quarto trimestre de 2025. O levantamento reúne avaliações do setor sobre o cenário do crédito bancário no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
De acordo com o BC, as condições de oferta de crédito continuam se deteriorando e a expectativa é de que essa tendência persista nos últimos meses do ano. A pesquisa indica que a demanda observada no terceiro trimestre permaneceu igual ou superior à do período anterior, tendência que deve se manter até dezembro. A exceção é o segmento de crédito habitacional para pessoa física, que pode apresentar demanda mais fraca.
O relatório destaca ainda que o nível de tolerância ao risco e a inadimplência aumentaram em todos os segmentos. O destaque negativo ficou para o segmento de consumo para pessoas físicas, cujo índice de inadimplência no terceiro trimestre superou as expectativas. Para o quarto trimestre, projeta-se novo aumento do risco e da inadimplência em todos os segmentos.
Grandes empresas
Para as grandes empresas, a percepção foi de que as condições de crédito ficaram ligeiramente mais restritivas no terceiro trimestre em relação ao segundo, com ênfase para fatores como as condições da economia doméstica, inadimplência do mercado, tolerância ao risco e liquidez do mercado externo.
No quarto trimestre, a expectativa é de continuidade do aperto nas condições de crédito. O aumento do risco de crédito e as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil foram apontados como fatores que podem impactar a oferta para esse segmento.
Micro, pequenas e médias empresas (MPME)
No caso das micro, pequenas e médias empresas, a inadimplência e a tolerância ao risco foram fatores mais restritivos, mas a atuação do BNDES ajudou a mitigar esses efeitos. A avaliação é de que esses fatores devem permanecer restritivos nos últimos meses do ano, embora o rebalanceamento de portfólio possa atenuar, em parte, essa maior restrição.
Consumo das famílias
A pesquisa mostra que a maioria dos fatores foi ligeiramente mais restritiva do que no trimestre anterior, especialmente o nível de inadimplência do mercado. Apesar disso, o segmento manteve condições relativamente menos restritivas que os demais.
Para o último trimestre, espera-se um comportamento misto dos fatores. O comprometimento de renda do consumidor e o nível de inadimplência devem pressionar por condições mais rígidas, enquanto a captação de novos clientes e a concorrência entre bancos podem favorecer maior flexibilidade.
Habitação
No segmento habitacional, as condições foram mais restritivas no terceiro trimestre, principalmente em razão do custo e da disponibilidade de funding, níveis de tolerância ao risco, emprego e condições salariais. Nos próximos três meses, a tendência é de manutenção das restrições, ainda que com alguma melhora proporcionada pelo ambiente institucional.