SEGURANÇA PÚBLICA

Bope e Core relatam ao MP uso restrito de câmeras corporais em megaoperação no Rio

Apenas 134 dos 343 policiais das duas unidades estavam equipados com câmeras durante ação que resultou em 121 mortos; MP aponta lesões atípicas em corpos e pede análise das imagens

Publicado em 13/11/2025 às 17:45
Reprodução / Agência Brasil

O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Marcelo Corbage, e o chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), Fabricio Oliveira, declararam ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que menos da metade dos policiais envolvidos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha utilizou câmeras corporais. Segundo os depoimentos, apenas 134 dos 343 agentes das duas unidades estavam equipados com o dispositivo durante a ação realizada em 28 de outubro, considerada a mais letal da história do Estado, com 121 mortos.

De acordo com Corbage, 77 dos 215 policiais do Bope usaram câmeras corporais na operação. Ele afirmou ainda que "não foi pensada a necessidade de baterias sobressalentes" para os equipamentos, pois acreditava-se que a ação teria duração normal de cinco a seis horas.

Já Fabricio Oliveira relatou ao MPRJ que, dos 128 policiais da Core, apenas 57 estavam utilizando câmeras durante a operação.

Corbage destacou que os dispositivos foram distribuídos de forma que "todas as frações contassem com ao menos um policial com câmera".

O Ministério Público do Rio identificou "lesões atípicas" em dois dos 121 corpos de suspeitos e policiais mortos durante a operação contra o Comando Vermelho.

Relatório técnico da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT), baseado em exames de necropsia, apontou que um dos suspeitos apresentava lesões de disparo à curta distância e outro, ferimento por decapitação.

Diante dos indícios, promotores sugerem uma "análise minuciosa das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos" e do escaneamento do ambiente onde ocorreu o confronto.