Ibovespa registra segunda queda seguida e fecha em baixa de 0,3%, aos 157,1 mil pontos
Após sequência de altas históricas, índice acompanha recuo das bolsas americanas e sente correção em ações de tecnologia e balanços trimestrais
O Ibovespa encerrou esta quinta-feira, 13, com leve baixa de 0,30%, aos 157.162,43 pontos, mantendo o movimento de correção pelo segundo dia consecutivo após uma sequência de 15 altas — sendo 12 delas em níveis recordes. O índice chegou a registrar mínima de 0,71% no meio da tarde, aos 156.509,44 pontos, após abrir o pregão em 157.632,99 e atingir máxima de 158.319,14 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,1 bilhões.
Na semana, o Ibovespa acumula alta de 2,01%, enquanto no mês o ganho é de 5,10%. No acumulado do ano, o avanço chega a 30,66%.
Segundo Bruno Perri, estrategista e economista-chefe da Forum Investimentos, o desempenho do Ibovespa refletiu o cenário internacional, com as bolsas americanas em queda significativa. Apesar do fim do shutdown — a paralisação de 43 dias de atividades públicas essenciais nos Estados Unidos —, o mercado segue pressionado, especialmente pelo ajuste no setor de tecnologia, diante da percepção de que os valuations estão elevados.
Em Nova York, o Nasdaq liderou as perdas, com retração de 2,29% no fechamento, seguido pelo S&P 500 (-1,66%) e pelo Dow Jones (-1,65%). No mês, o Nasdaq já acumula queda de 3,60%.
Na B3, as ações da Petrobras ON e PN, que ajudaram a equilibrar o Ibovespa no início do dia, limitaram os ganhos a 0,90% e 0,43%, respectivamente. Já Vale ON, principal papel do índice, oscilou para o campo negativo no fim da tarde, fechando em baixa de 0,14%. Banco do Brasil ON, que pressionava o índice até o meio da tarde, moderou as perdas após a divulgação do balanço trimestral e encerrou com recuo de 1,32%. Entre os bancos, destaque positivo para BTG, que subiu 0,61%.
No lado das maiores quedas, Hapvida liderou as perdas do Ibovespa ao recuar 42,21% após a divulgação do balanço, seguida por Raízen (-6,45%) e Braskem (-4,89%). Entre as maiores altas do dia, destaque para MRV (+5,16%), Allos (+4,58%) e MBRF (+4,36%).
Victor Borges, operador de renda variável da Manchester Investimentos, avalia que o fim do shutdown e a retomada das atividades nos EUA não eliminam os impactos negativos já sentidos na economia americana, além de levantar dúvidas sobre a confiabilidade de dados econômicos que ficaram sem divulgação, como inflação e emprego.
Nesta quinta, a Casa Branca chegou a mencionar que alguns dados oficiais podem jamais ser publicados — uma ausência que pesa justamente quando o Federal Reserve busca sinais sobre preços e mercado de trabalho, em meio à trajetória de cortes de juros iniciada em setembro e mantida na reunião do fim de outubro.
Em relatório, Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, destacou que o Índice de Força Relativa (IFR) do Ibovespa atingiu um dos maiores patamares já registrados na última terça-feira, 11, ao fim do rali de 15 sessões. "Historicamente, quando o IFR alcança níveis tão altos, há movimentos de realização de lucros no curto prazo, seguidos de retomada da tendência de alta, antes de sinais mais estruturais de enfraquecimento", explica Siqueira.
"Em episódios anteriores, como em 1997 e 1999, o padrão se repetiu: correções rápidas entre 4% e 7% logo após o IFR extremo, retomada da alta e, só depois, quedas mais profundas provocadas por fatores externos ou perda de momentum", acrescenta.