CÚPULA DO CLIMA

ONU envia carta ao governo Lula com críticas e exigências para a continuidade da COP30

Secretário-executivo da UNFCCC aponta falhas de segurança, infraestrutura e gestão durante evento em Belém e cobra providências do governo brasileiro para garantir realização da conferência.

Por Sputinik Brasil Publicado em 13/11/2025 às 19:11
© Foto / Bruno Peres / Agência Brasil

O secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), Simon Stiell, enviou uma carta ao governo Lula exigindo mudanças na organização da COP30 e tecendo críticas à infraestrutura e à segurança do evento, especialmente após o protesto ocorrido na terça-feira (11).

De acordo com informações divulgadas por O Globo, Stiell destacou que agentes de segurança presentes no local não tentaram dispersar os manifestantes, em uma ação semelhante à orientação do gabinete do presidente Lula, que teria instruído a Polícia Federal a não intervir em outro protesto realizado no mesmo dia.

Na correspondência, Stiell também apontou a ausência de seguranças em portas de acesso ao evento e a falta de ação das autoridades brasileiras diante de possíveis invasões, contrariando acordos prévios estabelecidos com o Brasil para a execução da COP30.

"As forças de segurança e a estrutura de comando necessárias para executar o plano de segurança estavam presentes no local durante o incidente, mas não agiram."

Além do episódio de terça-feira, o secretário-executivo da UNFCCC criticou ainda as altas temperaturas registradas em alguns ambientes da cúpula, que teriam provocado "problemas de saúde relacionados ao calor".

Stiell relatou também que as fortes chuvas em Belém (PA) nos últimos dias resultaram em casos de infiltração de água pelo teto e pelas luminárias, "causando não apenas transtornos, mas também potenciais riscos à segurança devido à exposição à eletricidade".

A carta, endereçada ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ainda ressalta que delegações investiram valores expressivos em escritórios alugados e pavilhões, que não estariam em condições adequadas de uso.

Em nota ao O Globo, a Casa Civil informou que "não esteve envolvida na tomada de decisão das forças de segurança pública referente aos protestos de 11 de novembro" e reforçou que está trabalhando para atender todas as solicitações feitas pela ONU.