ENERGIA & INFRAESTRUTURA

Sandoval Feitosa alerta para risco de colapso no sistema elétrico sem modernização tarifária

Diretor-geral da Aneel defende atualização das tarifas para garantir segurança operacional e evitar desequilíbrios no setor

Publicado em 13/11/2025 às 19:57
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa Arquivo PR

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, voltou a alertar sobre os riscos que ameaçam a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo ele, sem a modernização tarifária e a adoção de sinais de preço para os consumidores, existe um grande risco para o funcionamento do sistema elétrico brasileiro.

Feitosa participou de um evento promovido pela empresa global WEG, com o tema "BESS - Elo Principal para a Transição Energética", realizado paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Na ocasião, ele antecipou que, "nos próximos dias", será aberta uma consulta pública sobre a modernização tarifária no setor elétrico.

Atualmente, a Aneel testa nove projetos-piloto com diferentes modelos de tarifas, como tarifa horária, tarifa dinâmica, tarifas voltadas à mobilidade elétrica e pré-pagamento, em diversas regiões do país. O objetivo comum dessas iniciativas é trazer mais dinamismo aos valores cobrados e, em última instância, reduzir o custo para o consumidor.

"A modernização trará grandes oportunidades, promoverá eficiência econômica e, principalmente, garantirá segurança operacional", avaliou Sandoval Feitosa. Com a mudança, será possível, em um primeiro momento, modular a carga de 30% dos consumidores brasileiros de baixa tensão, sinalizando preços mais baixos nos horários de maior oferta de geração e tarifas mais altas nos períodos de escassez.

O ponto central da proposta é permitir que o usuário ajuste seu consumo conforme as informações tarifárias. "Temos uma transferência de renda absurda no Brasil, especialmente no setor elétrico. Quem tem mais recursos paga menos tarifa, e quem tem menos recursos paga mais. Mas, além disso, agora estamos falando da sustentabilidade operacional do sistema. Se não fizermos essa mudança tarifária, corremos um grande risco de colapso no funcionamento do que é a nossa joia", afirmou o diretor-geral da Aneel.

A operação segura do sistema elétrico nacional depende, essencialmente, do fornecimento estável de energia para todos os consumidores. O aumento da participação de fontes intermitentes de geração representa um desafio para a segurança do fornecimento contínuo. A modernização tarifária pode contribuir, pelo lado do consumo, aliviando a pressão sobre o sistema nos horários de pico e baixa geração.

"Se não cuidarmos do orgulho nacional, que é o funcionamento eficiente de uma rede maior que toda a Europa, poderemos enfrentar um grande problema. O momento agora é trazer para o centro do debate a segurança operacional do sistema elétrico", reforçou Sandoval Feitosa, que cumpre agenda em Belém (PA) nesta sexta-feira.