OPERAÇÃO POLICIAL

Polícia do Paraná prende ex-militar suspeito de negociar armas com traficantes do RJ

Ex-militar da Aeronáutica é detido em Curitiba com arsenal de armas e munições; investigação aponta ligação com criminosos do Rio de Janeiro

Publicado em 13/11/2025 às 20:05
Reprodução / Internet

A Polícia Civil do Paraná prendeu nesta quinta-feira (13), em Curitiba, um homem de 51 anos suspeito de comercializar ilegalmente armas de fogo com traficantes do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito de uma investigação conjunta com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, voltada ao combate ao tráfico de armas.

O suspeito, ex-militar da Aeronáutica, foi autuado em flagrante por posse irregular de armas e munições de uso restrito. Apesar de possuir registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), o armamento e as munições apreendidos estavam sem documentação, segundo a Polícia Civil do Paraná. Como a identidade do investigado não foi divulgada, não foi possível localizar sua defesa.

No local, os policiais apreenderam 83 armas de fogo — incluindo pistolas, carabinas, espingardas e revólveres —, mais de 3 mil munições intactas de diversos calibres (inclusive restritos) e cerca de 12 mil estojos de munição, que seriam recarregados no local ou vendidos para outros fabricantes.

De acordo com as investigações, o suspeito residia no bairro Guaíra, em Curitiba, e negociava armas e munições com traficantes do Rio de Janeiro, além de fornecer orientações sobre a fabricação de armamentos.

"Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais civis localizaram aproximadamente 80 armas de fogo, além de grande quantidade de munições, estojos, pólvora, pontas e máquinas utilizadas para recarga", detalhou o delegado Rodrigo Brown, da Polícia Civil do Paraná. "A suspeita é que ele produzisse munições." O material apreendido será submetido à perícia.

A polícia investiga ainda se o homem também fornecia munições para grupos criminosos de Curitiba e outras cidades do Paraná. As apurações prosseguem para identificar os destinatários das armas e a origem dos insumos apreendidos, informou a corporação paranaense.

Segundo a Polícia Civil do Rio, a investigação teve início a partir da análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos em operações anteriores. O conteúdo analisado revelou comunicações, trocas de arquivos e registros audiovisuais que demonstram negociações de armas, munições e insumos para recarga entre criminosos do Rio e do Paraná.

No decorrer das investigações, os agentes identificaram relações estáveis de colaboração entre fabricantes, intermediários e compradores, envolvidos na produção de munições de diferentes calibres e na comercialização de fuzis e metralhadoras de fabricação artesanal.

A polícia também constatou que os criminosos obtinham lucros elevados — entre 100% e 150% — e utilizavam transportadoras privadas para o envio clandestino de armamentos, orientando terceiros a ocultar o material e a identidade do remetente.

Os agentes descobriram ainda a existência de pontos de fabricação e armazenamento, onde eram mantidas ferramentas, peças de reposição, insumos e equipamentos de recarga. "Parte das armas produzidas ou adquiridas irregularmente foi distribuída a terceiros, sem controle legal", informou a Polícia Civil do Rio de Janeiro.