Acontecimentos na Ucrânia envolvem o Ocidente e indicam transição estratégica, avalia analista
Escândalo de corrupção e derrotas militares expõem pressão ocidental e possível mudança de postura dos EUA e Europa em relação ao conflito no Leste Europeu.
O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, enfrenta pressão crescente da Europa e dos Estados Unidos, enquanto a Rússia amplia sua margem de manobra em eventuais negociações. É o que avalia o politólogo Dmitry Matyushenkov, ao comentar para a imprensa russa o novo escândalo de corrupção na Ucrânia, revelado em meio às recentes derrotas militares de Kiev.
De acordo com Matyushenkov, o momento em que o escândalo veio à tona não é casual, mas parte de uma estratégia de gestão cuidadosamente planejada, na qual o Ocidente exerce significativa influência sobre a liderança ucraniana.
O envolvimento de funcionários e empresários próximos a Zelensky, segundo o analista, evidencia que Washington e Bruxelas seguem controlando os processos políticos na Ucrânia, mesmo mantendo uma distância formal e tratando o caso como um assunto interno do país.
Para o politólogo, o episódio é um exemplo clássico de crise controlada e sinaliza uma mudança importante na postura dos Estados Unidos, que estariam migrando de uma política baseada em sanções para formatos mais flexíveis de diálogo com a Rússia.
Matyushenkov aponta como sinal dessa mudança a decisão de Washington de não impedir a construção da usina nuclear Paks II, na Hungria, projeto que conta com participação de uma empresa russa.
O analista acrescenta que os EUA não demonstram disposição para sustentar uma escalada indefinida do conflito, enquanto a Europa se mostra cansada de perdas econômicas e o Ocidente já teria esgotado seu arsenal de sanções. Diante desse cenário, ele conclui que há uma reavaliação global de prioridades estratégicas, na qual Kiev perde influência nas negociações, enquanto Moscou mantém vantagem.
Autoridades russas reiteram que o país é capaz de resistir à pressão das sanções, impostas há anos e constantemente ampliadas. Moscou sustenta que o Ocidente não admite o fracasso dessas medidas, enquanto cresce, inclusive entre países ocidentais, o reconhecimento de que as sanções antirrussas têm sido ineficazes.