TENSÃO NO GOLFO PÉRSICO

Irã apreende navio petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall no Estreito de Ormuz

Ação ocorre em uma das rotas mais estratégicas do petróleo mundial e reacende alertas sobre segurança marítima na região

Publicado em 14/11/2025 às 12:17
© Foto / Ministério da Defesa do Irã

O Irã apreendeu, nesta sexta-feira (14), um navio petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall que navegava pelo Estreito de Ormuz, segundo uma autoridade dos Estados Unidos. A embarcação foi levada para águas iranianas, marcando a primeira ação desse tipo em meses em uma das rotas mais importantes para o comércio global de petróleo.

De acordo com um oficial de defesa dos EUA, que preferiu não se identificar, o navio Talara seguia de Ajman, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Singapura, quando foi interceptado por forças iranianas. Um drone MQ-4C Triton da Marinha dos EUA monitorou a área por horas e registrou a apreensão, conforme dados de rastreamento de voo analisados pela Associated Press.

Até o momento, Teerã não confirmou oficialmente a apreensão. O episódio ocorre em um contexto de tensão, após o governo iraniano reiterar sua capacidade de retaliar, especialmente depois do conflito de 12 dias com Israel, em junho, que resultou em ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas.

A empresa de segurança privada Ambrey informou que o ataque envolveu três pequenas embarcações que se aproximaram do Talara. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), das Forças Armadas Britânicas, também reconheceu o incidente, afirmando que uma possível "atividade estatal" forçou o Talara a entrar em águas iranianas.

A Columbia Shipmanagement, com sede no Chipre, declarou, em comunicado, que perdeu contato com o petroleiro, que transportava gasóleo com alto teor de enxofre. A empresa afirmou que notificou as autoridades competentes e trabalha em colaboração com todas as partes envolvidas — incluindo agências de segurança marítima e o proprietário da embarcação — para restabelecer o contato com o navio. "A segurança da tripulação continua sendo nossa principal prioridade", disse a companhia.

A Marinha dos EUA responsabiliza o Irã por uma série de ataques com minas magnéticas contra navios-tanque em 2019, que danificaram várias embarcações, além de um ataque fatal com drone, em 2021, contra um petroleiro ligado a Israel, que resultou na morte de dois tripulantes europeus.

Esses ataques ocorreram após a decisão do então presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar unilateralmente o país do acordo nuclear de 2015. A última grande apreensão registrada havia sido em maio de 2022, quando o Irã confiscou dois petroleiros gregos, mantidos sob custódia até novembro do mesmo ano.

Esses episódios foram ofuscados pelos recentes ataques do grupo rebelde Houthi, apoiado pelo Irã, contra navios durante a guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, o que reduziu drasticamente a navegação no estratégico corredor do Mar Vermelho. As tensões prolongadas entre Irã e o Ocidente, somadas à crise em Gaza, culminaram em uma guerra de grande escala que durou 12 dias em junho.

O Irã há muito ameaça fechar o Estreito de Ormuz — passagem estratégica que liga o Golfo Pérsico ao oceano e por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. Para preservar a segurança das rotas marítimas, a Marinha dos EUA mantém patrulhas constantes na região por meio de sua 5ª Frota, sediada no Bahrein.