EDUCAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO

'Diploma cada vez tem menos relevância', afirma Tarcísio às vésperas do 2º dia de Enem

Governador de São Paulo defende valorização de habilidades práticas e destaca que mercado prioriza competências em vez de formação acadêmica tradicional.

Publicado em 14/11/2025 às 14:40
Tarcísio de Freitas Sergio Barzaghi / Governo do Estado de SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta quinta-feira, 13, que o mercado de trabalho está cada vez mais “desapegado” do diploma. Segundo ele, a formação acadêmica tradicional tem perdido importância frente às competências práticas exigidas atualmente. “O diploma cada vez tem menos relevância”, declarou durante um evento sobre a expansão do Ensino Médio Técnico nas escolas do Estado.

“O mercado está cada vez mais interessado em saber quais são suas habilidades e menos onde você se formou”, reforçou o governador.

Tarcísio destacou ainda que as habilidades valorizadas atualmente – e que possibilitam ascensão profissional – incluem domínio do português, capacidade de resolver problemas complexos e fluência em outros idiomas. “Você consegue se comunicar, você se comunica bem? Porque bom gerente é aquele que se comunica 90, 95% do tempo dele”, afirmou.

A declaração foi feita às vésperas do segundo dia de provas do Enem, que acontece neste domingo, 16, quando cerca de 5 milhões de jovens disputam vagas em universidades de todo o país.

Embora o ensino técnico seja apontado por especialistas como alternativa para uma formação mais alinhada ao mercado e para aproximar o jovem do ensino médio, há consenso de que o Brasil ainda precisa ampliar o número de formados em universidades. Atualmente, apenas 24% dos adultos brasileiros entre 25 e 64 anos possuem ensino superior, índice bem abaixo da média de 49% dos países desenvolvidos membros da OCDE.

De acordo com o relatório Education at a Glance (EaG) 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ter um diploma de ensino superior aumenta as chances de emprego e garante salários mais altos — chegando a mais que o dobro daqueles que possuem apenas o ensino médio.

Os dados mostram que brasileiros de 25 a 64 anos com ensino superior recebem, em média, 148% a mais do que aqueles que têm apenas o ensino médio. Essa diferença supera a média dos países da OCDE, onde o salário médio é 54% maior para quem possui diploma universitário.