SUSTENTABILIDADE INDUSTRIAL

Parceria entre Braskem e ComBio prevê caldeira elétrica para reduzir custos e emissões em Paulínia

Projeto pioneiro utilizará energia renovável e deve cortar custos operacionais em 20%, além de diminuir emissões de CO₂ em até 65% na unidade paulista

Publicado em 14/11/2025 às 16:13
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A Braskem avança na implantação de uma caldeira elétrica de última geração em sua unidade de Paulínia (SP), iniciativa realizada em parceria com a ComBio. Com início de operação previsto para o segundo semestre de 2026, o projeto utilizará energia renovável e promete reduzir em aproximadamente 20% os custos operacionais da planta.

Atualmente em fase de licenciamento ambiental e aquisição de equipamentos, a nova caldeira terá capacidade para produzir 12 toneladas de vapor por hora, substituindo parte do volume atualmente adquirido da Refinaria de Paulínia (Replan).

A eletrificação será viabilizada por meio de energia solar e eólica, provenientes de um dos Power Purchase Agreements (PPAs) firmados pela Braskem para a compra de energia renovável. A implementação da nova infraestrutura foi planejada para não causar interrupções nas operações da unidade.

“Esse é outro ganho do projeto”, destaca Robson Casali, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Energia da Braskem. “Não estamos apenas substituindo o fornecimento de vapor, mas buscando soluções que permitam recuperar calor no processo, aumentando a eficiência operacional”, explica.

A parceria com a ComBio foi formalizada em um contrato de 15 anos, abrangendo aquisição, implantação e manutenção dos ativos. A Braskem ficará responsável pela operação, enquanto a ComBio garantirá a performance dos equipamentos, promovendo a otimização de custos para ambas as empresas. O projeto será executado em duas fases, com características modulares para ampliar a eficiência no uso de recursos.

Segundo Casali, “a capacidade do projeto atende à demanda atual do processo, mas o escopo permite sinergias para eventuais expansões futuras”.

Para a ComBio, o projeto representa sua estreia no setor petroquímico. “É um marco porque demonstra que há tecnologias para descarbonizar a indústria em diferentes aplicações e necessidades”, afirma Gustavo Marchezin, diretor comercial da ComBio. “Essa planta mostra ao mercado uma nova vertente de descarbonização: não apenas biomassa ou biometano, mas a eletrificação como solução sustentável”, completa.

Segundo a Braskem, a mudança permitirá uma redução de cerca de 65% nas emissões de CO₂ — escopos 1 e 2 — na unidade PP 3 PLN.

“Estamos reduzindo emissões relacionadas à combustão na região”, ressalta Casali. “Esta já era uma das plantas com menores índices de emissão e estamos próximos de atingir quase zero. O êxito desse projeto nos dará segurança para replicar a iniciativa em outras unidades da Braskem”, conclui.

Atualmente, a Braskem conta com 27 unidades industriais e mantém a meta de reduzir em 15% suas emissões totais de carbono até 2030.