JUSTIÇA

Polícia do RJ relata à Justiça cenário de guerra na Operação Contenção

Justiça, Operação Contenção, polícia civil, Rio de Janeiro

Publicado em 14/11/2025 às 17:45

A Polícia Civil do Rio de Janeiro relatou à Justiça um “cenário de guerra” durante a Operação Contenção , realizada no dia 28 de outubro, para o cumprimento de mandatos de prisão contra pessoas que estariam ligadas à organização criminosa do Comando Vermelho.

O relato está em um relatório circunstanciado elaborado pela Polícia Civil e enviado à 42ª Vara Criminal da Capital, responsável pela emissão dos mandatos que basearam a operação, que deixou 121 mortos.

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“Cumpre salientar, preliminarmente, que a ação deflagrada se deu em um cenário de guerra e alta complexidade operacional, conforme amplamente divulgado pela mídia”, diz o relatório.

A polícia relatou que o trabalho de cumprimento dos mandados de prisão e de busca a apreensão precisau ser interrompido devido ao intenso tiroteio. Os policiais afirmaram que várias equipes foram atacadas simultaneamente e não conseguiram cumprir todos os mandatos.

“Diversas equipes precisaram deixar a comunidade em razão de prisões em flagrante delito e apreensões diversas, o que ensejou uma mudança de planejamento para garantir a integridade das equipes que apoiaram no teatro de operações”, afirmou a polícia.

A corporação também anexou uma lista com sete endereços em que ocorreram prisões e apreensões de drogas ou insumos para fabricação, além de telefones celulares, cadernos com anotações e computadores.

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Em outros 27 endereços, os alvos não foram encontrados, nada de ilícito foi encontrado ou os locais que não foram localizados devido ao tiroteio.

“Os demais objetivos foram prejudicados no cumprimento dos mandados, tendo em vista que o terreno se encontrou muito assustador, com diversas equipes policiais sendo atacadas simultaneamente, resultando na morte de policiais, bem como no ferimento de diversos níveis de gravidade”, completou o relatório.

Uma cópia do relatório também foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo conhecido como ADPF das Favelas - Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.

Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro. Moraes é o relator temporário da ação. 

Contenção 

Realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, a ação policial deixou 121 pessoas mortas, sendo quatro policiais. 

No total, foram feitas 113 prisões, sendo 33 de presos de outros estados. Foram recolhidas 118 armas e 1 tonelada de droga. O objetivo era conter o avanço da facção Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão, sendo 30 expedidos pela Justiça do Pará.

A operação conto com um efetivo de 2,5 mil policiais e é a maior e mais letal realizada no estado nos últimos 15 anos.