MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras têm leve acomodação nesta sexta, mas fecham semana com forte recuo

Sessão foi marcada por baixa liquidez e influência do cenário externo, mas semana registrou queda significativa nas taxas futuras de juros negociadas na B3.

Publicado em 14/11/2025 às 18:49
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Em meio à ausência de indicadores relevantes no cenário doméstico e a uma sessão de baixa liquidez, as taxas de juros futuras negociadas na B3 tiveram tendência de acomodação nesta sexta-feira, 14. Os contratos oscilaram próximos aos ajustes anteriores ao longo do pregão, embora tenham registrado mínimos intradiários nos vencimentos mais curtos e, pela manhã, também nos.

No ambiente externo, a piora foi influenciada pela volatilidade após o fim do shutdown nos Estados Unidos e pelas declarações de membros do Federal Reserve (Fed), que reduziram as apostas em um novo corte de juros norte-americanos em dezembro. Esse cenário contribuiu para a abertura de DIs intermediários e longos. Por outro lado, a estabilidade do câmbio ajudou a evitar uma questão mais importante, encerrando uma semana bastante positiva para o mercado local de renda fixa.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,644% para 13,625%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 12.815% para 12.835%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 13.165% para 13.175%.

De acordo com Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a ausência de dados domésticos ampliou a influência do cenário externo sobre os DIs. Tavares destaca que as recentes declarações de dirigentes do Fed indicam que não deve haver flexibilização adicional da política monetária na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC).

O fim da paralisação do governo americano, inicialmente visto como fator positivo, acabou trazendo mais incertezas, já que não está claro se todos os dados que deixaram de ser divulgados serão publicados, comentado o economista.

“Parece que está fora de cogitação um corte de juros nos EUA em dezembro, e isso pesa mais sobre os DIs hoje”, afirma Tavares. “Há um ‘sell-off’ de ativos lá fora que trouxe pessimismo ao mercado doméstico”, acrescenta. O rendimento dos Tesouros de 30 anos subiu para 4,748% às 18h02, refletindo o aumento da percepção de risco.

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Markets, concorda que o cenário externo foi o principal fator dos negócios nesta sexta-feira, em uma sessão de acomodação das taxas. Apesar do dia de manhã, ela ressalta que a semana foi marcada por uma queda significativa na curva do termo.

No acumulado semanal, a taxa projetada para janeiro de 2027 recuperou 23 pontos-base em relação ao fechamento da última sexta-feira. Os DIs para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 caíram 22 e 19 pontos-base, respectivamente.

Apesar de o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ter esclarecido que interpretações ‘dovish’ — ou seja, elaboradas a cortes — do ata do Comitê de Política Monetária (Copom) são incorretas, o documento evidenciou uma reavaliação do BC sobre o nível de atividade, segundo Argenta. O texto também declarou um Copom menos incerto quanto aos riscos negativos para o cenário inflacionário, em sua avaliação.

Divulgada na terça-feira, mesmo dia da ata, a alta de apenas 0,09% do IPCA de outubro, abaixo do consenso de mercado, também contribuiu para o rompimento na curva, acrescenta Argenta.

Segundo a equipe econômica do Santander, além da ata, a curva foi beneficiada pelo forte apetite ao risco dos investidores, que impulsionou a Bolsa e fortaleceu o real. Ainda assim, a curva futura segue precificando que a Selic deve encerrar 2026 ao redor de 12,25%, segundo os economistas do banco.

A instituição revisou sua estimativa para a taxa básica de juros no período, de 13% para 12,50%, refletindo um cenário mais favorável para a inflação e maior confiança no desaquecimento da atividade econômica.