SEGURANÇA PÚBLICA

Consórcio da Paz não resolverá impasse da segurança pública no Brasil

Especialistas apontam que iniciativa de governadores tem viés político e não apresenta soluções estruturais para o combate ao crime organizado

Publicado em 14/11/2025 às 19:32
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Após a operação realizada no Rio de Janeiro, que visou prender lideranças foragidas do Comando Vermelho oriundas de outros estados, o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), articulado com outros governadores de direita a criação do Consórcio da Paz. O objetivo do grupo é defender a autonomia dos estados frente ao governo federal no enfrentamento ao crime organizado.

No entanto, uma iniciativa entra em rota de investigações com ações recentes do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que visa aprimorar a integração das forças policiais, como é o caso da PEC da Segurança Pública.

Em entrevista à Sputnik Brasil , a cientista social Silvia Ramos minimizou os efeitos do Consórcio da Paz, classificando-o como uma "manifestação política" sem força real para combater o crime organizado. “O consórcio se enquadra em um conjunto de outras iniciativas que têm caráter meramente político e eleitoral e que, na verdade, não apresenta um projeto relacionado à segurança pública”, avaliou Ramos.

Para o especialista, a PEC da Segurança Pública possui pontos duvidosos e, assim como ocorre com a maioria das legislações em tramitação no Congresso Nacional, deverá sofrer alterações em seu texto. Apesar disso, Ramos destaca como principais méritos da proposta a criação de um sistema integrado entre os governos federal, estaduais e municipais, o que poderia eliminar a atual "empurra-empurra" de responsabilidades.

"Essa PEC, por si só, não vai mudar nada de imediato, mas pode articular o sistema de segurança a longo prazo. O que precisamos na segurança pública são ações de longo prazo. Não adianta criar apenas gabinetes de crise ou centrais; já tivemos muitos desses. E muito criar um consórcio de governadores", concluiu.

Por Sputnik Brasil