Motta descarta adiar votação do PL antifacção, mas mantém diálogo sobre o texto
Presidente da Câmara resiste à postergação da análise do projeto, mas reforça abertura para negociações em meio à tensão entre governo e oposição
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), descartou após a votação do projeto de lei antifacção, o relator do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), secretário licenciado de Segurança de São Paulo. Motta declarou receber que a proposta se transformaria em uma "polarização desenfreada" no Congresso.
Segundo Motta, tanto o governo quanto a oposição têm dificultado a discussão do projeto, conforme relatado pela jornalista Carla Araújo, do portal UOL. Em entrevista, o presidente da Câmara ressaltou que a votação do texto não deve ser postergada.
"O povo está cansado de ver bandido entrar e sair pela porta da frente. Está na hora de leis duras, penas firmes e menos brechas para criminosos voltar para a rua. Nosso dever é mostrar ao nosso povo um futuro melhor, não o medo de todos os dias. E é preciso que fique claro quanto ao objetivo do parlamento: ser espaço aberto de diálogo."
O PL antifacção, elaborado pelo governo ao Congresso Nacional, ganhou destaque e urgência após a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais. Poucos dias depois da ação, Motta designou Derrite como relator do projeto.
A escolha irritou o governo federal, que viu uma proposta do Planalto sob relatoria de um dos principais aliados do governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado para disputar a presidência contra Lula no próximo ano.
Derrite, por sua vez, dificuldades com o texto. Pelo menos quatro versões do projeto já circulam em Brasília, desagradando tanto o governo federal quanto governadores de direita, como Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
A votação do PL antifacção estava prevista para esta semana, mas, diante do impasse jurídico, a matéria deverá ser apreciada em plenário apenas na próxima semana.
Por Sputinik Brasil