COP30 | MERCADO FINANCEIRO

José Alexandre Sheinkman questiona demanda real por títulos verdes

Economista brasileiro afirma que diferença de retorno entre bonds verdes e convencionais é mínima e aponta desconfiança sobre selo ESG

Publicado em 14/11/2025 às 20:41
Reprodução

Existe um 'mito urbano' que tem uma grande demanda por títulos verdes no mercado global. A avaliação é do economista José Alexandre Scheinkman, professor da Columbia University, que participou de palestra na Casa CASE, em Belém, durante conferência da ONU sobre mudanças climáticas.

Segundo Scheinkman, a diferença entre as taxas de retorno dos títulos ocasionais e dos verdes é praticamente insignificante. “Quando comparamos as taxas de retorno pagas pelos títulos ocasionais e os verdes, a diferença é minúscula”, afirmou. Para ele, isso indica que a procura por títulos verdes não é tão alta quanto se propaga. “Se houvesse bastante demanda, a taxa paga pelo título verde teria uma diferença grande do vínculo normal”, explicou.

O economista reforçou: "Se as pessoas estão realmente apaixonadas pelos títulos verdes, as taxas devem ser mais baixas." Ele ponderou que a menor liquidez poderia ser usada como justificativa para o baixo interesse, mas considerou esse argumento insuficiente.

Scheinkman também chamou atenção para a complexidade do ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança). "O ESG é um processo complicado. Surgiu muita desconfiança sobre esse selo. Além disso, o ESG é uma 'salada', pois o mercado financeiro não funciona bem com um selo que aceita projetos muito diferentes entre si", avaliou.

Atendendo a um pedido do presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o embaixador André Corrêa do Lago, Scheinkman formou um grupo de economistas para sugerir ideias ao diplomata brasileiro. Entre os convidados estão o prêmio Nobel Esther Duflo, além de Juliano Assunção, Lars Hansen e Patrick Bolton.