TENSÃO NO GOLFO PÉRSICO

Navio com bandeira das Ilhas Marshall é apreendido pelo Irã no Estreito de Ormuz

Petroleiro Talara foi interceptado por forças iranianas em uma das mais importantes rotas de petróleo do mundo; autoridades internacionais acompanham o caso.

Publicado em 14/11/2025 às 21:26
Reprodução / internet

O Irã apreendeu, nesta sexta-feira (14), um navio petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall que navegava pelo Estreito de Ormuz, segundo informou uma autoridade dos Estados Unidos. A embarcação foi conduzida para águas iranianas, marcando a primeira ação desse tipo em meses em uma das rotas de petróleo mais estratégicas do planeta.

De acordo com um oficial de defesa norte-americano, que preferiu não ser identificado, o navio Talara partiu de Ajman, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Singapura, quando foi interceptado por forças iranianas.

Um drone MQ-4C Triton da Marinha dos EUA monitorou a área onde o Talara estava por horas nesta sexta-feira e registrou a apreensão, conforme dados de rastreamento de voo analisados pela Associated Press.

Até o momento, o governo de Teerã não confirmou oficialmente a apreensão. O episódio ocorre em meio a um contexto de tensão, no qual o Irã tem reiterado sua disposição de retaliar após o conflito de 12 dias com Israel, em junho, que resultou em ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas.

A empresa de segurança privada Ambrey relatou que o ataque envolveu três pequenas embarcações que se aproximaram do Talara.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), vinculado às Forças Armadas Britânicas, também reconheceu o incidente, acrescentando que uma possível "atividade estatal" forçou o Talara a entrar em águas iranianas.

A Columbia Shipmanagement, companhia com sede no Chipre, informou em comunicado que "perdeu contato" com o petroleiro, que transportava gasóleo com alto teor de enxofre.

Segundo a empresa, "as autoridades competentes foram notificadas e estamos trabalhando em estreita colaboração com todas as partes envolvidas – incluindo agências de segurança marítima e o proprietário da embarcação – para restabelecer o contato com o navio. A segurança da tripulação permanece nossa principal prioridade".

A Marinha dos EUA atribui ao Irã uma série de ataques contra navios-tanque em 2019, que danificaram diversas embarcações, além de um ataque fatal com drone, em 2021, contra um petroleiro ligado a Israel, que resultou na morte de dois tripulantes europeus.

Esses incidentes se intensificaram após o então presidente dos EUA, Donald Trump, retirar unilateralmente o país do acordo nuclear de 2015. A última grande apreensão ocorreu em maio de 2022, quando o Irã confiscou dois petroleiros gregos, mantidos sob custódia até novembro daquele ano.

O Irã há tempos ameaça fechar o Estreito de Ormuz – passagem estratégica que conecta o Golfo Pérsico ao oceano e por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A Marinha dos EUA patrulha a região há anos, por meio de sua 5ª Frota, baseada no Bahrein, para garantir a segurança das rotas marítimas.

Com informações da Associated Press.