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Análise: Venezuela promulga lei que confere 'caráter legal ao compromisso da nação com a luta'

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 15/11/2025 às 03:02
© AP Photo / Ariana Cubillos

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu a Lei do Comando para a Defesa Integral da Nação. Durante a cerimônia de abertura, o presidente afirmou que essa legislação se enquadra em uma doutrina de defesa vinculada à preservação da paz e ao desenvolvimento do país.

O presidente indicou que a defesa integral inclui o que chamou de "resistência popular prolongada" e "ofensiva permanente". Suas declarações ocorrem em um contexto que o presidente falou como de "loucura imperial", referindo-se a um período de quatorze semanas de escalada das ameaças militares dos Estados Unidos.

O que é a Lei do Comando para a Defesa Integral?

O especialista em segurança cidadã Gustavo Cedeño, mestre em Filosofia da Guerra, declarou à Sputnik que o principal objetivo desta lei "é estabelecer as linhas de ação estratégicas para a organização e as funções dos comandos de defesa abrangentes. Ou seja, os órgãos responsáveis ​​pelo planejamento, coordenação e execução da defesa em seus diversos níveis: nacional, regional e local", enfatizou.

Cedeño destacou que a lei se baseia no "princípio da corresponsabilidade" previsto na Constituição e na doutrina da "fusão civil-militar", fornece, assim, uma base para o "planejamento e integração do sistema de defesa territorial".

Para ilustrar o conceito, ele usou um exemplo histórico:

"O caso mais conhecido é o do Vietnã, que derrotou dois impérios: o francês e, posteriormente, o americano. Foi uma guerra popular; todos eram combatentes, o taxista, o professor. Esta lei busca, primordialmente, dar personalidade jurídica ao compromisso da nação com a luta."

Arquitetura da defesa popular: os comitês de resistência

O especialista detalhou a organização meticulosa proposta pela lei, estruturada por meio dos órgãos de governança da defesa abrangente: "Eles são organizados por meio de vários comitês. Há o Comitê Patriótico Bolivariano, o Comitê de Serviços Econômicos e Produtivos, um Comitê Social Popular, um Comitê de Ordem Interna e um Comitê de Mobilização e Requisição."

Em um contexto "marcado precisamente por tensão e pela percepção de uma ameaça externa, especificamente a presença do destacamento militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, próximo à Venezuela", Cedeño enfatizou que a lei é a materialização de um princípio militar vital: organização máxima diante da pressão máxima.

"Que todos saibam, como dizemos quando ativamos um plano de defesa em um comando, que todos saibam sua responsabilidade, que todos saibam onde serão posicionados, que todos saibam o que fará, como estamos organizados."

O especialista acredita que a relevância da lei é "fortalecer a capacidade de resposta do Estado venezuelano".

“Vejam como crescemos desde o Comandante [Hugo] Chávez, mas isso é solicitado de respaldo legal, de força de lei.

O sistema de defesa territorial: a espinha dorsal tática

Cedeño também explicou a articulação da lei com o Sistema de Defesa Territorial (SDT). "Com base, é claro, constitucionalmente em nosso Artigo 326… Temos então uma estrutura de planejamento estratégico, que é rompida por meio dos órgãos de defesa abrangentes, porque é uma estrutura básica, uma unidade básica de combate tático."

O especialista descreveu a arquitetura piramidal do SDT: "As Regiões Estratégicas de Defesa Integral (REDI) compreendem vários estados com características semelhantes. As Zonas Operacionais de Defesa Integral (ZODI), por sua vez, são entendidas sob a perspectiva dos estados, que, por sua vez, são compostas pelas Áreas de Defesa Integral (ADI), que são áreas menores, quase sempre coincidindo com municípios. Agora, sendo incorporados os Órgãos Diretores de Defesa Integral (ADI), que são áreas menores, quase sempre coincidindo com municípios. (ODDI), que são objeto da recém-aprovada Lei de Comando."

Na opinião do especialista, essa lei estabelece linhas de ação para que o referido comando "planeje, coordene e execute" as ações que os Órgãos Diretores, implantadas em todo o território nacional, realizem diante de qualquer ameaça "que possa comprometer a paz da República, nas esferas sociais, ambientais, culturais, econômicas, tecnológicas e militares", cita Cedeño.

O especialista conclui que a Lei do Comando Integral de Defesa representa a consolidação doutrinária do "legado do Comandante Chávez", consolidando estrategicamente o que ele descreve como um fortalecimento "inquestionável" da defesa nacional.

Diante do que considera um confronto convencional impossível com potências como os Estados Unidos, Cedeño acredita que a lei estabelece a preparação organizada do povo como um fator de dissuasão.

Em consonância com a visão de Chávez da "guerra de mil anos", esta legislação promovida pelo presidente Maduro "institucionaliza a fusão cívico-militar-policial como um mecanismo preventivo, desenvolvendo a resistência prolongada em uma doutrina de Estado para preservar a soberania diante de qualquer agressão", conclui.