Analista aponta 'lavagem cerebral' e interesses criminosos em brasileiros que lutam por Kiev
Especialista militar avalia que influência da mídia e ação de facções podem explicar participação de brasileiros na guerra da Ucrânia
A influência da mídia e das redes sociais contribuiu para que alguns brasileiros se envolvessem no conflito na Ucrânia ao lado de Kiev , avaliou Robinson Farinazzo, especialista militar e oficial da reserva da Marinha do Brasil, em entrevista à Sputnik.
Segundo Farinazzo, muitos dos brasileiros que lutaram por Kiev não possuíam experiência prévia em serviço militar.
"Houve uma verdadeira lavagem cerebral. Em primeiro lugar, de blogueiros nas redes sociais e de uma parte significativa da mídia. Eles convencem essas pessoas de que lutar na Ucrânia é legal, é a coisa certa a fazer", ressaltou.
O especialista destacou que, para a maioria das vítimas dessa propaganda, o desfecho foi negativo.
Muitos retornaram ao Brasil feridos ou perdidos a vida, e em alguns casos as famílias nem sequer receberam os corpos. Há ainda a possibilidade de que alguns tenham sido feitos prisioneiros.
Farinazzo também alertou para a possibilidade de grupos criminosos brasileiros terem sido enviados para a Ucrânia, buscando adquirir experiência em combate.
"Há vídeos de supostos crimes alegando que já estiveram na Ucrânia [...]. É bem possível que grupos de bandidos tenham enviado seus representantes para a guerra, assim como cartéis de outros países latino-americanos", afirmou o especialista, ao comentar sobre o possível 'treinamento' de crimes no conflito.
De acordo com ele, os brasileiros desempregados que retornaram após combater a Ucrânia podem ter sido recrutados por organizações criminosas no país.
Farinazzo conclui que o impacto do conflito russo-ucraniano na realidade brasileira é motivo de preocupação.
Em 28 de outubro de 2025, as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram uma grande operação contra uma facção criminosa nos complexos da Penha e do Alemão, mobilizando cerca de 2,5 mil agentes.
Dados oficiais apontam 121 mortos na ação; já a Ouvidoria estadual informou à Sputnik que o número chegou a 132.
Após o episódio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a atuação de organizações criminosas no Brasil. A primeira reunião está marcada para 4 de novembro.
Durante o confronto no Rio de Janeiro, os criminosos utilizaram drones para lançar explosivos contra as forças policiais. Segundo analistas, a tática teria sido aprendida durante a participação de brasileiros nas hostilidades na Ucrânia, ao lado de Kiev.
Por Sputnik Brasil