EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

CNI reforça urgência para eliminar sobretaxa de 40% dos EUA após retirada de tarifa global de 10%

Entidade alerta que medida dos Estados Unidos amplia desigualdade e pressiona por negociações para garantir competitividade dos produtos brasileiros no principal destino das exportações industriais.

Publicado em 15/11/2025 às 13:59
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que a retirada, pelos Estados Unidos, da tarifa recíproca de 10% para uma ampla lista de produtos agrícolas de todos os países aumenta a urgência de o Brasil avançar nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente aos exportadores brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o ajuste na política tarifária norte-americana, oficializado em decreto nesta sexta-feira (14), favorecendo concorrentes internacionais, enquanto os setores tradicionais do Brasil continuam enfrentando barreiras elevadas.

"Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras", ressaltou Alban.

Segundo análise preliminar da entidade, a decisão do governo dos EUA de zerar a tarifa global de 10% atinge 238 produtos agrícolas e beneficia diretamente 80 itens efetivamente exportados pelo Brasil. Em 2024, esses produtos somaram US$ 4,6 bilhões em vendas para os americanos, cerca de 11% do total exportado. No entanto, apenas três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará ficaram completamente isentos de tributação. Os demais começam sujeitos à cobrança dos 40%.

A CNI ressalta que produtos de peso na pauta comercial, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba, tiveram redução parcial da carga total, mas seguem submetidas à alíquota extra. "Os outros 76 produtos permanecem com os 40% específicos ao Brasil", aponta o levantamento. Isso significa que, apesar do intervalo na tarifa recíproca global, a competitividade brasileira em segmentos estratégicos continua limitada.

A decisão americana ocorre em meio à forte pressão doméstica sobre o governo Trump para reduzir o custo de vida nos EUA. O decreto publicado pela Casa Branca, com efeito retroativo a 13 de novembro, zero tarifas sobre carne bovina, banana, café, tomate, frutas tropicais e outros itens agrícolas, devido ao caráter global da medida.

O governo brasileiro tem buscado reverter a sobretaxa de 40% por meio de negociações diplomáticas bilaterais. Na quinta-feira (13), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar do tema.

Vieira afirmou que "Marco Rubio e os EUA demonstraram interesse em boa relação com o Brasil", e que aguarda resposta oficial a uma proposta brasileira que prevê uma pausa temporária nas tarifas enquanto se inicia uma discussão setorial.

No entendimento da CNI, a dificuldade de acesso competitivo ao mercado americano aumenta à medida que concorrentes passam a operar sob tarifas reduzidas ou zeradas. O Brasil é o principal fornecedor de café arábica aos Estados Unidos, por exemplo, mas vê seu produto enfrentar restrições maiores que as aplicadas a concorrentes como Vietnã e Colômbia.

Nos cortes de carne bovina, o cenário é semelhante. “As condições podem melhorar para concorrentes internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”, reforça a entidade em nota.