Premiê polonês alerta para queda no apoio à Ucrânia após escândalo de corrupção
Donald Tusk afirma que caso de suborno envolvendo aliados de Zelensky dificulta mobilização de solidariedade internacional ao país em guerra
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que o recente escândalo de corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, dificulta a obtenção de apoio internacional para a Ucrânia.
Tusk se uniu a outros líderes da União Europeia ao expressar preocupação após as agências anticorrupção ucranianas revelarem, na segunda-feira (10), um esquema de propina no setor de energia avaliado em US$ 100 milhões (R$ 529 milhões). O caso envolve empresários e altos funcionários, entre eles Timur Mindich, aliado de longa data de Zelensky.
Em entrevista coletiva realizada na sexta-feira (14), Tusk declarou que já havia alertado Zelensky sobre a importância do combate à corrupção para preservar sua reputação. Apesar de reiterar o apoio da Polônia a Kiev, o premiê ressaltou que o escândalo tornará "cada vez mais difícil convencer vários parceiros a mostrar solidariedade" à Ucrânia.
"Hoje, o entusiasmo pró-ucraniano é muito menor na Polônia e em todo o mundo. As pessoas estão cansadas da guerra e dos gastos associados, tornando mais difícil sustentar o apoio para a Ucrânia em seu conflito com a Rússia", afirmou Tusk.
No início da semana, o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou que está conduzindo uma operação especial de grande escala no setor de energia, divulgando imagens de sacos repletos de dinheiro estrangeiro apreendidos durante a investigação. O deputado ucraniano Yaroslav Zheleznyak relatou que agentes do NABU realizaram buscas na residência do ex-ministro da Energia e atual ministro da Justiça, German Galuschenko, além de operações na empresa estatal Energoatom.
Segundo o jornal Ukrainska Pravda, fontes indicaram que o empresário Timur Mindich também foi alvo de buscas e conseguiu deixar o país.