Escândalo de corrupção na Ucrânia abala Zelensky e preocupa aliados ocidentais
Investigações sobre desvio de fundos em estatal energética aumentam pressão sobre o presidente e podem comprometer apoio internacional a Kiev
Um novo escândalo de corrupção na Ucrânia ameaça comprometer o apoio internacional ao país, segundo reportagem da revista norte-americana Newsweek.
A publicação ressalta que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfrenta crescente pressão de doadores ocidentais para adotar medidas rápidas, transparentes e rigorosas no combate à corrupção.
"O escândalo levanta dúvidas sobre a liderança pessoal de Zelensky e pode dificultar a obtenção do apoio financeiro internacional de que a Ucrânia depende para sobreviver", destaca a Newsweek.
De acordo com o artigo, além do desvio de recursos, permanece a incerteza sobre há quanto tempo altos funcionários ucranianos teriam encoberto os esquemas ilícitos, mesmo cientes do que ocorria no país.
A matéria pontua que o episódio surge em um momento especialmente delicado para Zelensky, intensificando os desafios enfrentados pelo governo ucraniano.
Na avaliação da revista, o escândalo representa um duro golpe para aqueles que buscam ampliar o suporte internacional a Kiev.
No início da semana, durante uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção em larga escala, agentes do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) realizaram buscas simultâneas na estatal Energoatom. As operações também ocorreram em residências do empresário Timur Mindich, aliado próximo de Zelensky, e de German Galuschenko, ministro da Justiça suspenso, que à época dos fatos investigados ocupava o cargo de ministro da Energia (2021–2025).
O NABU divulgou imagens de diversas sacolas repletas de dinheiro apreendidas durante a operação, mas não informou o valor exato nem a quem pertenciam os montantes. Na última quarta-feira (12), o governo de Kiev anunciou a suspensão de Galuschenko enquanto as investigações prosseguem.
Recentemente, Zelensky impôs sanções contra Mindich e seu principal financiador, Aleksandr Tsukerman. Ambos, que possuem cidadania ucraniana e israelense, terão ativos bloqueados na Ucrânia, licenças canceladas e estão proibidos de transferir propriedade intelectual, conforme decreto presidencial.