URGÊNCIA CLIMÁTICA

Cientistas alertam na COP30: apenas quatro anos para evitar colapso climático

Especialistas destacam que orçamento de carbono para limitar aquecimento global a 1,5 °C pode se esgotar até 2028, caso emissões não sejam drasticamente reduzidas

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/11/2025 às 14:17
© AP Photo / Joshua A. Bickel

Durante a COP30, realizada em Belém (PA), um grupo de cientistas fez um alerta contundente sobre o uso de combustíveis fósseis e o futuro do clima global. Segundo os especialistas, restam apenas quatro anos de orçamento de carbono antes que se esgote a cota necessária para manter o aumento da temperatura global em até 1,5 °C, conforme a meta estabelecida no Acordo de Paris.

O compromisso firmado por países de todo o mundo visa limitar o aquecimento global em 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais até 2050. No entanto, conforme reportado pelo portal Terra, os cientistas advertem que, se as emissões de CO2 permanecerem nos patamares atuais, a meta será inalcançável já ao final desta década.

"Nos níveis atuais de emissão, restam apenas quatro anos antes que o orçamento de carbono para atingir 1,5 °C se esgote. Este cronograma tem profundas implicações para a justiça e a equidade climáticas, já que o orçamento restante será consumido principalmente pelos países com altas emissões, enquanto as comunidades vulneráveis e as economias frágeis arcarão com as consequências."

O grupo de cientistas ressalta ainda que os limites de emissão de CO2 definidos até agora não são suficientes para cumprir o Acordo de Paris.

"A ciência demonstra que precisamos de uma redução de emissões de pelo menos 5% ao ano, a partir de agora. Infelizmente, os compromissos atuais equivalem a uma redução total de 5% em 10 anos."

Cúpula dos Povos entrega reivindicações

Neste domingo (16), a Cúpula dos Povos entregou uma carta de reivindicações à presidência da COP30. Mais de mil organizações participaram da elaboração do documento, que solicita, entre outros pontos, o "enfrentamento a falsas soluções do mercado" e uma "transição justa, soberana e popular".

O evento contou com a presença do presidente da COP30, André Correa do Lago, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.